quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Positivismo



Fonte: Google Imagens
O Positivismo é uma corrente filosófica do começo do século XIX nascida na França. O principal idealizador do positivismo foi Augusto Comte, francês (1798-1857), criador da teoria dos três estados do conhecimento humano. Comte viveu num tempo intermediário entre o apagar das luzes do iluminismo e a era das grandes generalizações em ciência, um tempo em que o mundo natural parecia acessível à força do intelecto, no culminar do pensamento mecânico da Revolução Industrial. Comte morreu dois anos antes de Darwin publicar A Origem das Espécies, em 1859. Também não viveu o suficiente para ver a publicação de O Capital (1867-1894), por seus contemporâneos Karl Marx e Friedrich Engels, embora tivesse visto o Manifesto Comunista. Esse pequeno contexto histórico ajuda a entender a filosofia de Comte. A ciência moderna acabou com as esperanças de uma realidade universal harmoniosa e ordenada, que pudesse ser traçada a régua e compasso. O determinismo científico ruiu: as leis naturais são meras abstrações e idealizações do intelecto, carecendo de qualquer existência objetiva. O mundo é, confuso, caótico, dominado pelo princípio da incerteza. É assim na física, é assim na sociedade.
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Ele definiu a palavra "positivo" com sete acepções: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático. Significava o real, por oposição ao quimérico, o útil em oposição ao ocioso, a certeza em oposição à indecisão, o preciso em oposição ao vago, o relativo em oposição ao absoluto... Para Comte, o Positivismo é uma doutrina filosófica, política, altruísta, científica e industrial, que tem por objetivo incrementar o progresso do bem-estar moral, intelectual e material. Surgiu como desenvolvimento sociológico do Iluminismo, das crises social e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial - processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799). O positivismo acompanhou e estimulou a organização técnico-industrial da sociedade moderna e fez uma exaltação otimista do industrialismo. Nesse sentido, pode-se compreendê-lo como produto da sociedade técnico-industrial que, ao mesmo tempo, a leva esta mesma sociedade a desenvolver-se e consolidar-se. Teve impulso, graças ao desenvolvimento dos problemas econômico-sociais, que dominaram o mesmo século XIX. Sendo grandemente valorizada a atividade econômica, produtora de bens materiais, é natural se procure uma base filosófica positiva, naturalista, materialista, para as ideologias econômico-sociais.
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Basicamente, a característica essencial ao positivismo, tal qual o concebeu Comte, é a devoção à ciência. A partir da ciência propunha-se reformular a sociedade para que se obtivesse ordem e progresso. No plano político-social o estado positivo se caracteriza pela passagem do poder material para o controle dos industriais. Assim, Comte afirma que a sociedade dever ser dividida em classes, em dirigentes e dirigidos, como forma de se manter em harmonia na convivência social. Essa visão mostra que Comte considerava a sociedade como um organismo heterogêneo, mas cujas partes deveriam trabalhar solidárias para o bem de todo. Comte assim divide o estudo da estrutura social em dois campos principais: o estudo da ordem social, que ele denomina de estática social e o estudo da evolução da sociedade, que recebe o nome de dinâmica social. Em suma, como doutrina e método, o Positivismo passa a enfrentar a sociedade individualista e liberal, através da ordem e progresso, que Comte considerava fonte principal de todo sistema político. Finalmente teve uma proposta audaciosa de modificar a sociedade através de um novo paradigma social.
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O positivismo admite, como fonte única de conhecimento e critério de verdade, a experiência, os fatos positivos, os dados sensíveis. Para Comte, o método positivista consiste na observação dos fenômenos, subordinando a imaginação à observação. A ciência é superior a todo o resto. Daí acreditar o positivismo firmemente no progresso. Trata-se, porém, de um progresso concebido naturalisticamente, quer nos meios quer no fim, para o bem-estar material. O positivismo fica no mesmo âmbito do idealismo e do pensamento moderno em geral, defendendo o absoluto do fenômeno e limita-se à experiência imediata, pura, sensível, como já fizera o empirismo. Daí a sua pobreza filosófica, mas também o seu maior valor como descrição e análise objetiva da experiência - através da história e da ciência. Compreende-se então porque elas são fecundas no campo prático, técnico, aplicado. O Positivismo torna-se doutrina enquanto preconizava que todos os fatos da sociedade devem seguir essa natureza precisa e científica. De acordo com os positivistas somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comprovada através de métodos científicos válidos. O método científico compreende quatro etapas: observação, matematização, suposição e experimentação. Os positivistas não consideram os conhecimentos ligados as crenças, superstição ou qualquer outro que não possa ser comprovado cientificamente. Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos, sendo que as ciências podem ser classificadas em cinco áreas: Astronomia, Física, Química, Biologia e Sociologia. Comte nega as causas eficientes e finais, o infinito e o absoluto, para reconhecer apenas o relativo, o sensível, o fenomenal e o útil. “Tudo é relativo, e isso é a única coisa absoluta” é o axioma fundamental do Positivismo.
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No "Curso de Filosofia Positiva" Comte formulou a "lei dos três estados" da evolução humana: O estado teológico, em que a humanidade vê o mundo e se organiza a partir dos mitos e das crenças religiosas; O estado metafísico, baseado na descrença em um Deus todo-poderoso, mas também em conhecimentos sem fundamentação científica; e O estado positivo, marcado pelo triunfo da ciência, que seria capaz de compreender toda e qualquer manifestação natural e humana. Passados mais de 150 anos da publicação do "Curso", talvez não fosse necessário dizer que é inerente ao positivismo uma romantização da ciência, que atribuiu ao conhecimento científico uma onipotência não comprovada pela realidade. Atualmente, sabe-se que a ciência não só resolve problemas, como também os cria: veja-se como um exemplo a interferência danosa do desenvolvimento industrial no meio ambiente.
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O Positivismo pode ser considerado uma reação ao Romantismo e ganhou força na Europa na segunda metade do século XIX e começo do XX, período em que chegou ao Brasil. Serviu de embasamento social-filosófico-político para vários movimentos políticos do século XIX como a campanha abolicionista e o advento da República no Brasil. A conformação atual da bandeira é um reflexo da influência positiva.  A frase Ordem e Progresso é inspirado pelo lema de Auguste Comte: L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but ("Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta"): Ordem, progresso e ciência como religião da humanidade, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziria para a perfeita orientação ética da vida social. O que torna Comte e o Positivismo ultrapassados no contexto atual é sua ênfase no determinismo, na hierarquia e na obediência, sua crença no governo da elite intelectual e sua insistência em desprezar a teologia e a metafísica.
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