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terça-feira, 23 de novembro de 2010

A casa do lago

Fonte: Google Imagens
 Simplesmente amo esse filme, tanto pelo seu viés arquitetônico como pela historia de amor que rompe as barreiras do tempo e do espaço. Para a professora Ecídia Maria Soares Pinto da disciplina de Fundamentos Tecnológicos e Técnicas Construtivas do Curso de A.U. do Izabela Hendrix precisei assistir ao filme “A Casa do Lago”.
Fonte: Google Imagens
Como o trabalho, o post aborda o filme “A casa do lago” analisando-o do ponto de vista da Arquitetura. A história se passa em Chicago e gira em torno de Kate Forster (Sandra Bullock), uma médica solitária que morava numa casa à beira de um lago. Ela passa a trocar cartas de amor com o novo morador da residência, o arquiteto frustrado Alex (Keanu Reeves).
Fonte: Google Imagens
A casa é uma “caixa de vidro”, com toda a paisagem em volta, de modo que não há uma conexão entre o “nós” e a paisagem em que a Casa do Lago é o domínio e não a ligação.

O filme utiliza alguns termos arquitetônicos que nós muitas vezes escutamos e repetimos sem saber o significado. Nesse filme pude aprofundar o conceito de: Palafitas, Painéis de vidro, Alicerce, Chalé, Estilo moderno, Condomínio, Pré-fabricadas, Canteiro de obras, Tijolo, Varanda, Deck, Escada, Alamedas, Granito, Alumínio, Janelas, Clarabóias, Persianas, Fiação, Projeto, Encanamento, Estrutura, Demolições, Escavações, ...
Fonte: Google Imagens
A Casa do Lago traz também uma discussão sobre a qualidade da luz nos diferentes lugares em que a construção é implantada, ressaltando que essa emissão indireta que realça é a mesma que desgasta e utiliza como exemplo a Casa de La Caritat em Barcelona além de citar três importantes arquitetos, Richard Meier, Frank Lloyd Wright e Le Corbusier, discute sua relação com o meio ambiente e o fato de um arquiteto sempre “consultar” a natureza: “Uma estrutura perfeita, que deve soberviver no tempo, nunca ignora a natureza”.
Fonte: Google Imagens

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O nome da rosa

No curso de A.U. do Izabela Hendrix, na disciplina de História da Arquitetura, da Cidade e das Artes I, minha Professora, Sandra Lemos Coelho Bontempo, pediu que assistíssemos ao filme “O Nome da Rosa” para uma comparação com o texto “A Vida Doméstica Urbana Medieval”. Como eu assisti ao filme três vezes, dedico este post a ele.
Fonte: Google Imagens

Passado numa abadia italiana em 1327, O Nome da Rosa decorre durante ‘o cativeiro Babilônico’, um período de 70 anos durante o qual os papas eram franceses e a Santa Sé foi transferida de Roma para Avignon. Neste tempo de imenso rebuliço, as ordens monásticas competiam por influência temporal e espiritual. Os imperadores italiano, francês e alemão competiam pela dominação política e as relações muitas vezes hostis no seio do papado, ordens religiosas e vários imperadores faziam da vida monástica uma vida pouco tranqüila.  A Baixa Idade Média (século XI ao XV) é marcada pela desintegração do feudalismo e formação do capitalismo na Europa Ocidental. Ocorrem assim, nesse período, transformações na esfera econômica (crescimento do comércio monetário), social (projeção da burguesia e sua aliança com o rei), política (formação das monarquias nacionais representadas pelos reis absolutistas) e até religiosas, que culminarão com o cisma do ocidente, através do protestantismo iniciado por Martinho Lutero na Alemanha em 1517. Culturalmente, destaca-se o movimento renascentista que surgiu em Florença no século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os séculos XV e XVI. O renascimento- enquanto movimento cultural- resgatou da Antigüidade greco-romana os valores antropocêntricos e racionais, que adaptados ao período, entraram em choque com o teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela Igreja.
Fonte: Google Imagens
O Nome da Rosa, que tem como centro da história uma biblioteca, caracterizada como reservatório do saber e como pano de fundo um mosteiro, onde se passa a trama.  A expressão "O Nome da Rosa" foi usada na Idade Média significando o infinito poder das palavras. A rosa subsiste seu nome, apenas; mesmo que não esteja presente e nem sequer exista. A “rosa de então”, centro real desse romance é a antiga biblioteca de um convento beneditino, na qual estavam guardados, em grande número, códigos preciosos: parte importante da sabedoria grega e latina que os monges conservaram através dos séculos.  O autor mostra grande conhecimento da filosofia medieval, da política da Igreja e do ambiente que dominava as abadias dos beneditinos.  A história ocorre em sete dias, e cada dia é dividido nas partes que a Igreja usava para que seus clérigos rezassem: Matinas, Laudes, Primeira, Terceira, Sexta, Nona, Vésperas e Completas. Sete mortes misteriosas ocorrem durante aquela semana e todas elas ligadas à existência ou não de um livro de Aristóteles sobre a Comédia. Umberto Eco critica impiedosamente as questões que os teólogos trocavam entre si se Jesus Cristo sorriu alguma vez na sua vida, de alguma situação ou de alguém. O mosteiro representa a forma tradicional que a igreja se estabeleceu no ocidente cristão. Estes faziam parte de um mundo fechado, uma verdadeira fortaleza com muralhas e portões que preservavam a vida monástica dos perigos. Os principais mosteiros medievais possuíam grandes riquezas, terras, tesouros e servos.  Essa época foi bastante influenciada pelo filósofo Santo Agostinho (354 – 430).  Em seu tratado A Doutrina Cristã Santo Agostinho estabelece que “Os Cristãos podem e devem tomar da filosofia grega pagã tudo aquilo que for importante e útil para o desenvolvimento da doutrina crista, desde que, ao mesmo tempo, o que for tomado seja compatível com a fé”. Isto vai constituir o critério para a relação entre o cristianismo (teologia e doutrina cristã) e a filosofia e a ciência dos antigos. Por isso é que a biblioteca tem que ser secreta, porque ela inclui obras que não estão devidamente interpretadas no contexto do cristianismo medieval. O acesso à biblioteca era restrito, pois em seu interior existia um saber pagão que poderia ameaçar a doutrina cristã.  Como diz ao final Jorge de Burgos, o velho bibliotecário, acerca do texto de Aristóteles – a comédia pode fazer com que as pessoas percam o temor a Deus e, portanto, faz desmoronar todo esse mundo. Seguindo o pensamento de Santo Agostinho, os clérigos restringiam o acesso ao conhecimento, servindo como um entrave, uma negação para a Idade Moderna.  Porém os monges se dedicavam a traduzir e copiar livros, o que foi essencial na preservação e difusão na cultura clássica e nas obras religiosas. Durante a Idade Média umas das práticas mais comuns nas bibliotecas dos mosteiros eram apagar obras antigas escritas em pergaminhos e sobre elas escrever ou copiar novos textos. Eram os chamados palimpsestos, livretes em que textos científicos e filosóficos da Antigüidade clássica eram raspados das páginas e substituídos por orações rituais litúrgicos.
Fonte: Google Imagens
Se a abadia é o corpo deste enredo, a biblioteca funciona como o seu coração. Instalada numa torre de pose austera, acessível através de um intrincado labirinto de escadas e corredores, ela guarda o verdadeiro tesouro: o conhecimento. Das salas partiam caminhos enganadores, para além de, no local mais inacessível, alguém colocara o livro da Poética de Aristóteles, que supostamente tratava da comédia e do riso e que era considerado um atentado à fé. Na Antiguidade pagã, o saber sempre foi privilégio de alguns. No Egito foi igualmente assim, o mesmo acontecendo na Grécia e no Oriente, onde se cultivava a força e o poder. Sabe-se que o saber dá poder, logo era perfeitamente natural que aqueles que sabiam, procurassem esconder as suas descobertas, tentando assim controlar o poder.  Como se isso não fosse suficiente, o labirinto da biblioteca da Abadia tinha sido construído à imagem do mundo conhecido pelos medievais. Cada sala era designada por uma letra, e as letras de um conjunto de salas formavam o patronímico de um país ou de uma região. Por exemplo, as salas designadas com as letras A, N, G, L, I, reuniam os autores ingleses. Através de uma construção labiríntica, "a biblioteca defende-se por si, insondável como a verdade que acolhe enganosa, como a mentira que encerra. Labirinto espiritual é também labirinto terreno. Poderíeis entrar e poderíeis não sair." Ela é testemunha da verdade e do erro. Essa era uma idéia defendida pelos pensadores medievais. Historicamente, aquela biblioteca já existia antes mesmo da construção da própria Abadia, o que acaba por nos transmitir a idéia de que a Igreja Católica aproveitara-se do saber humano acumulado antes de sua fundação e expansão, e teria alterado os fins a que tal saber se destinavam. É este, certamente, o sentido das seguintes palavras de Adso: "(...) Não tinha a experiência dum mestre-pedreiro, mas apercebi-me que ele (o edifício da biblioteca) era muito mais antigo que as construções que o rodeavam, nascido talvez para outros fins, e que o conjunto abacial se dispusera à sua volta em tempos posteriores, mas de modo que a orientação da grande construção se adequasse à da Igreja, ou esta àquela".  A Igreja, na Idade Média, teria tido apenas a preocupação de conservar, de repetir e defender o que a humanidade tinha aprendido, não dando valor nem permitindo a investigação e o desenvolvimento intelectual. Esta Abadia foi imaginada pelo autor como um símbolo da época medieval e do próprio mundo, assim como da História, ele mesmo o diz: "Esta abadia é um verdadeiro microcosmo”. Por outro lado, todas as instituições e estados sociais da época estavam representadas na planta da Abadia. Em primeiro lugar, analisa-se o modo como é apresentada a igreja da abadia, pois esse edifício simboliza a própria Igreja Católica, na Idade Média. O autor distingue na construção do edifício religioso duas igrejas, feitas em dois diferentes estilos. A primeira, mais antiga, é de construção românica, sóbria, solidamente plantada no chão da montanha, mais larga do que alta, para ter mais estabilidade, e encimada por ameias quadradas.  Essa igreja antiga construída sobre a pedra, quase sem adornos, representa evidentemente a igreja primitiva que os sectários consideravam a verdadeira igreja de Cristo: igreja pobre, sem riquezas materiais, sem estruturas, uma pura igreja espiritual, que depois se corrompera ao ter aceitado a doação de Constantino, no século IV. Como se vê, Frei Guilherme defende na sua alusão: A ideia de que a Igreja deve ser pobre, espiritual, e não dogmática; Essa nova igreja subornada pelos donativos do Estado Romano, rica, cheia de enfeites, materializada nas suas estruturas, fossilizada nos seus dogmas, é simbolizada pelo segundo edifício, construído sobre a igreja românica. Na entrada da igreja da abadia, Adso e Frei Guilherme detém-se a contemplar o tímpano esculpido em estilo românico. Nele está representada a visão do trono de Deus de Ezequiel e o juízo final em que Cristo julgará os vivos e os mortos, levando os bons para o céu e condenando os maus ao fogo eterno. Nesse tímpano estavam representados ainda os sete pecados capitais, utilizando-se os mesmos números cheios de significados místicos que aparecem no Apocalipse, e procurando-se obedecer às leis da estética medieval que mandava harmonizar o uno e o múltiplo, o unívoco e o equívoco. Simbolicamente, o autor situa o cemitério da Abadia entre a igreja e a biblioteca. Entre a religião e o saber, estava a morte. Existiam dois caminhos que efetuavam a ligação entre a igreja e a biblioteca, entre a religião e o saber. O primeiro, que era visível, passava por entre os túmulos. O segundo, um caminho subterrâneo, secreto, passava por entre os mortos. O enigma da morte permitia entrar no labirinto, fornecia a chave de acesso, mas não a do seu segredo tão bem guardado. E os monges eram dominados pela biblioteca, pelas suas promessas (o céu) e por suas proibições (os mandamentos). Com base nesses argumentos é que podemos considerar que a Idade Média também foi uma “semente” para o nascimento da Idade Moderna. Podemos considerar a biblioteca como o núcleo do mosteiro. O saber como se pode observar no filme se mostra como algo que não é transparente, de acesso imediato, porém labiríntico, e em sua busca podemos nos perder com facilidade.
No personagem Guilherme de Baskerville podemos encontrar características de um empirista, um intelectual renascentista, que busca o conhecimento através das experiências, da observação e da visão cientista contra a especulação. Ele carrega consigo um par de óculos, que simbolizam essa necessidade de observar bem os fatos. À medida que ele vai tentando desvendar os assassinatos que ocorrem no mosteiro fica mais clara sua visão de buscar a verdade através de observações meticulosas e da recusa por explicações sem sentido. Todos no mosteiro tentam explicar os acontecimentos como sendo obra divina. O inquisidor Bernardo Gui é chamado para desvendar o mistério em torno das mortes, e imediatamente vê a presença do demônio e de bruxaria. Essa é uma forma de conhecimento que não vê a realidade, fruto de superstição e da fé cega na doutrina. Os motivos dos crimes é a defesa da tradição contra um novo saber.  No entanto, os crimes ocorridos não explicam o verdadeiro mistério da Abadia, mas são explicados por ele.
Fonte: Google Imagens
A Idade Média assistiu em sua agonia um grande debate filosófico-religioso. Perdido o equilíbrio o homem medieval caiu em dois extremos opostos. De um lado tínhamos a posição do catolicismo; de outro, a concepção imperial, laica e estadista. De um lado, a igreja, avessa a qualquer tipo de evidência racional e empírica, interessada na defesa dos dogmas da cristandade, condenando tudo aquilo que, de uma forma ou de outra pudesse contrariar as autoridades permitidas, nomeadamente, a lógica aristotélica e os fatos resultantes da observação e experimentação. Do outro, uma posição aberta à consideração da observação dos fatos independentemente da sua relação com os dogmas, partindo justamente dos fatos para a construção de hipóteses e sua posterior verificação empírica e conformidade racional, ou seja, a demonstração. Para além desta abordagem o filme apresenta inúmeros e valiosos elementos para a caracterização da sociedade e cultura da época. Destaque para o retrato das relações sociais entre as diferentes classes, o poderio da igreja e a manipulação, psicológica, econômica e política subjacente ao mesmo. O filme revela igualmente o importante fato da cultura, sabedoria e conhecimento serem um privilégio de apenas algumas pessoas, e por essa razão, poderem ser manipuladas em função de outros interesses que não a descoberta da verdade, e mais grave ainda, o fato da instituição Igreja, á imagem e semelhança do que foi feito pelos romanos quando conquistaram a Grécia, terem destruído uma grande parte da nossa herança cultural, pela simples razão de ser incômoda para a religião e fé católicas, e, sobretudo , para a manutenção dos seus privilégios e condição social, econômica e política.  

Fonte: ECO, Umberto, Por que "O Nome da Rosa”? e MOSCARIELLO, Angelo (s.d.) Como ver um filme

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Kitchen Stories


Fonte: Google Imagens

Kitchen Stories ou histórias de cozinha ou ainda Salmer fra kjøkkenet é um drama sueco-norueguês de 2003 de longos 95 minutos dirigido por Bent Hamer.

Bent Hamer, após ter tomado conhecimento do pós-guerra, de livros de pesquisa sobre a eficiência da dona de casa sueca, ponderou sobre a idéia da pesquisa para homens. Eis sua inspiração para fazer o filme Histórias de Cozinha.
Fonte: Google Imagens
Imagine se o seu trabalho implica observar os hábitos das pessoas em suas cozinhas, suas idas e vindas: do forno para a geladeira... Como assim? Bem, digamos que você é um empregado de uma empresa que está ansioso para otimizar o arranjo da casa das pessoas para tornar sua vida mais confortável (???). Você senta lá e vê o seu "modelo". Não há comunicação entre você e ele. Agora imagine que você é o "modelo", e que há um homem sentado em sua cozinha observando o seu comportamento! Estranho...

No pós-guerra na Suécia, foi descoberto que a cada ano, uma dona de casa anda o número de milhas equivalente a distância entre Estocolmo e Congo, enquanto prepara as refeições para sua família. Então, o sueco Home Instituto de Pesquisa envia dezoito observadores para um distrito rural da Noruega para mapear as rotinas de cozinha de homens solteiros. Folke Nilsson (Tomas Norström ) é designado para estudar os hábitos de Bjørvik Isak ( Joachim Calmeyer ). Pelas regras do instituto de pesquisa, Folke tem que sentar na cadeira de um árbitro colocada estrategicamente na cozinha de Isak e observá-lo de lá, mas nunca falar com ele nem ser incluídos nas atividades da cozinha. Isak pára de usar a sua cozinha e observa Folke através de um buraco no teto vez. No entanto, os dois homens solitários lentamente começam a superar a primeira pós-guerra, a desconfiança sueco-norueguesa. O trabalho do observador científico, de observar os hábitos do homem solteiro da cozinha, é complicado por sua crescente amizade com ele.
Fonte: Google Imagens
No início do filme, Malmberg (um sueco) fica doente depois de ter que dirigir no lado direito da estrada na Noruega. Hoje, ambos os países dirigem à direita. Em 1967, a Suécia mudou para a direita porque fazer duas versões de carros como o Volvo e Saab para vendas no mercado interno e externo foram ineficiente. Além disso, há muitos pontos de cruzamentos de fronteira não marcados (ao contrário da passagem do filme), e as pessoas não percebem que eles estão em outro país e, por vezes, acabaram dirigindo do lado errado.
Fonte: Google Imagens
O filme traz uma visão bastante positivista e também mecanizada das relações sociais. Nessa cozinha “tudo se comunica”.

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Valsa com Bashir

Valsa com Bashir ou Waltz with Bashir é um “dramacomentário animado” hebraico de Israel, Alemanha, França, EUA, Holanda, Finlândia, Suíça, Bélgica e Austrália (ufa!) de 2008, dirigido por Ari Folman. 
“Numa noite num bar, um homem conta ao velho amigo Ari sobre um pesadelo recorrente no qual é perseguido por 26 cães alucinados. Toda noite é o mesmo número de bestas. Ambos concluem que o pesadelo tem a ver com a missão deles no exército israelense contra o Líbano, décadas atrás. Ari, no entanto, fica surpreso ao perceber que não consegue mais se lembrar de nada sobre aquele período da sua vida. Intrigado com o enigma, Ari decide se encontrar e entrevistar velhos camaradas pelo mundo. Ele tem necessidade de descobrir toda a verdade sobre aquele tempo e sobre si mesmo. E, quanto mais ele se aprofunda no mistério, mais suas lembranças se tornam aterrorizantes e surreais”.

Durante o período em que serviu o Exército, Folman foi enviado para o Líbano, invadido por Israel em 1982. Foi uma guerra suja, como todas, na qual as tropas israelenses contavam com o apoio, e apoiavam, as milícias cristãs, em oposição às diferentes milícias xiitas, apoiadas por Síria e Irã. A invasão israelense ficou marcada pelo massacre de Sabra e Chatila, campos de refugiados palestinos, localizados a oeste de Beirute. Em represália ao assassinato de seu líder, Bashir Gemayel, milícias cristãs invadiram os campos e mataram centenas de crianças, mulheres e idosos entre os dias 16 e 18 de setembro de 1982. O papel do Exército de Israel no episódio nunca foi claramente determinado, mas não há dúvidas sobre a sua grave omissão e ajuda indireta, cuidando da entrada e iluminando os campos à noite.

O cineasta Ari Folman se dedica, em “Valsa com Bashir”, a reconstituir os seus dias no Líbano – um tempo traumático, apagado de sua memória. Para isso, ele entrevista colegas que serviram juntos na guerra, ouve amigos, conversa com um psicanalista, enfim, tenta entender o que aconteceu e o que ele fez lá. O trauma gerado pelo massacre ainda é presente no imaginário israelense, e um determinado momento do filme é possível perceber a comparação com os campos de concentração que dizimaram um número enorme de judeus, negros, ciganos e homossexuais.  Filmadas, as entrevistas foram transformadas em imagens de animação, dando ao filme um ar de “graphic novel”. Dizem os especialistas que “Valsa com Bashir” inventou um novo gênero, ou subgênero, o documentário de animação. É impressionante a força e o impacto do resultado.

Folman não se preocupa em ouvir os muitos lados envolvidos na guerra (as milícias, os civis, os políticos) – apenas os israelenses com quem conviveu no período. Seu esforço, ao resgatar a memória daqueles dias, é menos de denúncia do que autoconhecimento. Não por acaso, “Valsa com Bashir” foi criticado por israelenses tanto à esquerda quanto à direita do espectro político. Na coletiva do Festival de Cannes, o diretor contou que a animação foi uma escolha natural, a que melhor auxiliaria no processo de revirar o baú do passado, e ajudaria a atrair para o filme um público jovem que sabe pouco sobre essa guerra, tanto em Israel como no resto do mundo.

No final do filme, um choque: algumas seqüências reais, imagens de arquivo, que acordam para a realidade. "Essas imagens eram importantes para lembrar que o assunto é serio, que não estou apenas fazendo um filme 'cool' sobre a guerra". O resultado é meio surrealista, com freqüência trágica e com momentos muito fortes, por vezes, devastadores. A narrativa é construída como um documentário convencional, mas a animação permite que ele dê vida aos pesadelos para tentar chegar ao cerne da questão: tiveram ou não os oficiais israelenses culpa na história. Sabiam ou não do massacre e por que não tentaram impedi-lo? O filme não chega a responder claramente e a conclusão fica por conta do espectador. Ou seja, um filme intrigante, instigante, que é para ser visto e discutido. 


As imagens de animação são lindas, com predominância do amarelo e do cinza, criam uma atmosfera peculiar e que cria um clima perfeito para a história. Menos superficial do que uma simples reconstituição com atores de carne e osso, o formato animado e a trilha sonora de punk rock ajudam a criar uma atmosfera jovem para a história. A intenção, no entanto, passa longe de glamourizar a experiência, como esclareceu em entrevista ao G1 no ano passado o diretor Ari Folman. "Este é um filme antiguerra. Em filmes americanos, mesmo nos que criticam a guerra, você sempre vai ter certo glamour em torno da guerra: a glória, a amizade entre os soldados, a masculinidade, a bravura. Você vê e fala: 'sim, é um filme antiguerra, mas eu quero ser um desses caras'. Com 'Bashir', quero que os jovens vejam e não queiram se sentir parte disso."

Já descrito como uma mistura de "Persépolis", a graphic novel da quadrinista Marjane Satrapi sobre sua infância na Revolução Iraniana, com "Nascido para matar", filme de Stanley Kubrick sobre o impacto psicológico do serviço militar na mente dos jovens americanos, "Valsa com Bashir" é capaz de sensibilizar e perturbar o espectador mesmo que não traga necessariamente todos os lados da delicada situação no Oriente Médio.

A memória é um recurso usado de forma soberba pelo diretor para mostrar o Horror da Primeira Guerra do Líbano. E a culpa de todos os envolvidos na guerra; o massacre de palestinos por libaneses com a complacência dos israelenses é mostrado no filme sem concessões baratas ao sentimentalismo; todos os lados da guerra são considerados culpados por Folman.  Trata de um assunto extremamente duro: os massacres dos campos de refugiados palestinos no Líbano, Sabra e Shatila, e da participação do exercito israelense, Tsahal, aos massacres (não diretamente, mas os soldados israelenses estavam a beira dos campos de refugiados, deixaram os falangistas cristianos libaneses entrar nos campos, testemunharam execuções de civis, mas demoraram 24h para mandar parar...).

Achei interessante o filme ter sido classificado como documentário, (parte de memórias da guerra) e me pareceu inusitado desenvolver um tema tão denso, real e sério como esse, na forma de animação. Comoveu-me o esforço do diretor. Muito interessante, e muito sutil sobre vários aspectos da historia, muito realista sobre a violência e o lado absurdo das guerras, sobre a falta de culpabilidade dos homens e falta de "aprendizado" (uma das falas mais fortes do filme é quando um amigo de Ari o compara a um nazista, porque ele passou a noite perto de Sabra e Shatila, ajudando indiretamente os phalangistas a massacrar os refugiados, lançando "flares" para iluminar o céu, sabendo por entreouvidos o que estava acontecendo, mas a nenhum momento fez qualquer coisa (poderia ter feito alguma coisa???) para impedir aquela situação horrorosa).

Vale a pena ver, refletir...

sábado, 25 de setembro de 2010

The Edukators

Fonte: Google Imagens
O diretor, Hans Weingartner (O Som das Nuvens), de 28 anos, filmou The Edukators (Die fetten jahre sind vorbei, 2004, Alemanha/Áustria), como uma forma de provocação à sua geração sem ideais políticos, o que abre uma discussão interessante sobre a juventude rebelde.  Ser rebelde, hoje em dia, ficou muito difícil. Quem quer ser um idealista no capitalismo selvagem em que vivemos? Weingartner nos mostra que essa geração perdeu seu poder de protesto.
Fonte: Google Imagens
A história gira ao redor de três ativistas anticapitalistas que vivem no centro de Berlim,  Jule, seu namorado Peter e Jan (Daniel Brühl, o mesmo de "ADEUS, LENIN"), o melhor amigo de Peter, e um rico homem de negócios, Hardenberg.  Jan e Peter acreditam que podem mudar o mundo. Eles se autodenominam "Os Edukadores", rebeldes que expressam sua indignação contra a injustiça social e a ideologia burguesa de forma pacífica - e criativa-: eles invadem mansões, trocam móveis e objetos de lugar e espalham mensagens de protesto: “Os anos de fartura estão acabados”.   A denúncia do acúmulo quase inutilizável de riqueza é feita sem imagens dramáticas. O capitalismo não é rejeitado porque não tem "pena" dos pobres, mas por sua natureza intrinsecamente coisificadora, por ser uma máquina de transformar até a rebelião contra ele mesmo em mercadoria (você pode escolher em vitrines os símbolos da rebeldia dos anos 70), pela idiotice dos milhões que passam horas em frente à TV, pela interdição da liberdade.  Em certo momento, o personagem de Daniel Brühl diz que todas as revoluções se esgotaram. Que, hoje em dia, o que era ideal de luta contra o sistema se transformou em camiseta que se compra em qualquer esquina. A revolução se tornou um bem de consumo. Portanto, o ideal dos Edukators não poderia ser mais apropriado: combater o consumismo e a distribuição de renda desigual. Os jovens encaram a mídia, como um meio de alienar mais ainda a todos, com programações que buscam tirar as pessoas da realidade e não terem nenhuma vontade de mudar a realidade, criando assim um sentimento conformista geral.  O filme expressa a encruzilhada dessa geração: a rejeição ao sistema vem junto com a mais absoluta descrença nas formas institucionalizadas de luta política.  A atitude deles não é a de Robin Hood; é sim deixar os abastados inseguros, de que algo está prestes a acontecer em suas vidas, independentemente dos sistemas de segurança de última geração que o seu dinheiro possa comprar. 
Fonte: Google Imagens
Durante uma viagem de Peter, Jan e Jule invadem a casa de Hardenberg. Na casa eles agem como os Edukadores, mas Jule esquece seu celular. Eles invadem novamente a casa, porém são surpreendidos pelo empresário, o que os força a sequestrá-lo. Com a ajuda de Peter eles vão para uma casa de campo onde as belas paisagens do "cativeiro" contrastam com o mundo repressivo e mercantilizado da cidade. Sem nenhuma estratégia definida e atravessados por um sentimento humanista, o que fazer com o cada vez mais simpático sequestrado? Nesse lugar há grandes diálogos entre o magnata e os três jovens, como um embate entre anarquismo e capitalismo, tais como a motivação dos capitalistas, de viver em função da carreira e do lucro. Os melhores diálogos ocorrem quando os quatro discutem política à mesa de jantar após fumarem maconha. Hardenberg revela no ano de 1968 pertencia a uma facção revolucionária, assim como a sua esposa, que combatia o poder burguês. Foi radical, fez experiências com drogas, experimentou a liberdade sexual... Depois, casou, teve filhos, a razão foi falando mais alto... Como reza o ditado, ser comunista até os 30 anos de idade é sinal de indignação e de lutar por causas justas; após os 30 anos é sinal de burrice. Nas falas do executivo o idealismo e a radicalidade dos jovens aparecem como uma fase de um ciclo educativo, uma espécie de preparação para a "vida real". A experiência vivida durante o sequestro, as lembranças de um passado aparentemente simplório mas alegre vieram à tona e fizeram sim, com que o sequestrado repensasse alguns dos valores mais importantes da vida. Embora isso não o tenha modificado de todo. "Algumas pessoas não mudam nunca"
Fonte: Google Imagens
No caso de Jan, Peter e Jule ainda existe uma esperança de ideais revolucionários. Com estes personagens, Weingartner quer chamar a atenção para as questões sociais e ainda revelar que os rebeldes da época viraram ministros e executivos. Desenrola-se então uma história que mostra um encontro de gerações onde todos começam a questionar seus valores. Os ideais vão ser colocados à prova duas vezes na casa dos Alpes da tia de Jule, local para onde o sequestrado foi levado: primeiro, sem munição, eles tem de por a mão no gatilho, tem de usar algum tipo de "instrumento de opressão"; segundo, Peter irá descobrir que Jan e Jule estão juntos. 
Fonte: Google Imagens
The Edukators te faz pensar como que o pensamento jovem de mudar o mundo com uma atitude muda tão rápido. Faz com que pensemos e repensemos as nossas escolhas e as consequências delas. Assim como a juventude busca, hoje, novos caminhos para mudar o mundo em que vive. Como a Arquitetura está presente nas intervenções que eles realizam (referência para a reforma da sala 134) e também pelo fato de que o filme é todo rodado em câmera digital, o que nos dá mais realismo. A mensagem dos Edukators não é uma mensagem reacionária. Não chega nem mesmo a ser um pedido de revolução. O objetivo deles é, antes de tudo, não se renderem ao sistema. Se há algo que eles ensinam é um exemplo de coragem. De não se deixar alienar, de acreditar na igualdade sabendo que sentimentos utópicos de uma sociedade perfeita não levam a nada. Sim, os Edukators possuem o desejo de uma revolução, mas é uma revolução que só pode começar se cada um de nós começarmos a dizer “não” ao “querer mais” e “sim” a virtudes, como a tolerância e a lealdade. É um filme de reflexão. Ao final da sessão, o diretor comentou que normalmente não devemos fazer aquilo que vemos nos filmes. Mas nesse caso deveríamos seguir a linha de pensamento dos personagens, mesmo que para isso, tivéssemos que superar nossos medos e temores. E concluiu com uma variação da frase do personagem Jan: "Todos nós participamos desse jogo inconscientemente. Só aqueles que tomam consciência da Matrix mudam a forma de jogar". Não é ser educado. É se educar. Afinal, “Todo coração é uma célula revolucionária”
Fonte: Google Imagens

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Mon Oncle

Fonte: Google Imagens
[ edit ] CastMon Oncle é filminho ítalo-francês de 1958, de Jacques Tati. É uma sátira à mecanização e ao culto à modernidade tecnológica já vigente na década de 50. A casa para o filme (Villa Arpel), projetado por Jacques Lagrange, foi construída em 1956, no La Victorine Studios (agora, Riviera Studios), perto de Nice, e demolida após a filmagem ser concluída.
Fonte: Google Imagens
Charles Arpel e Madame Arpel têm essa casa moderna e asséptica que representa a paixão com a arquitetura moderna, eficiência mecânica e de estilo americano, consumismo e acessórios domésticos de última geração. Tudo na casa deles é novo, clean, high-tech, programado: a espontaneidade não tem lugar. Tudo é representativo e não funcional; hostil para o conforto dos moradores.Todas as vezes que a campainha é apertada, a fonte em formato de peixe, disposta no meio do geométrico jardim, é acionada. O chafariz é desligado de acordo com a importância da visita. Na escolha da arquitetura moderna para pontuar as suas sátiras, Tati disse uma vez, "Les lignes géométriques ne pas les gens rendent aimables" (Linhas geométricas não produzem pessoas simpáticas ). Assim, cada ângulo da Villa Arpel enfatiza a supremacia da estética superficial e dispositivos elétricos sobre a realidade da vida diária. 
Fonte: Google Imagens
Neste cenário futurista, surge o irmão da senhora, o tio, Monsieur Hulot, inadaptado ao mundo moderno, estéril e monótono dos Arpell. Em meio aos avanços da época celebra as coisas simples que ainda existem nas grandes cidades. O título faz referência exatamente a esse membro da família que não se encaixa nessa mentalidade corrente: Hulot, interpretado pelo próprio Tati. Gérard Arpel vive com seus pais neste novo subúrbio de Paris, situado para além do desmoronamento de edifícios de pedra dos bairros antigos da cidade e admira seu tio justamente por estar fora dos padrões impostos pela sociedade já que seus pais estão firmemente arraigados na existência do trabalho, nos papéis de gênero, numa sociedade fixa, estratificada, bem como na aquisição de bens e status através da ostentação. Hulot faz o contraponto da casa moderna da família Arpel: ele vive numa confusa periferia em que a ordem é estabelecida pelos próprios moradores. Sempre que Hulot vai visitar a irmã, atravessa as ruínas do muro que representa a ruptura da cidade tradicional com a cidade moderna. De um lado, uma família extremamente formal. Do outro lado a alegria de viver com simplicidade. A ordem contra a desordem, modernidade contra o tradicional. 
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Ao mesmo tempo, Tati coloca em questão os novos conceitos estéticos emergentes na Europa da década de 50. O filme vai além de mostrar o moderno e o não moderno: satiriza a interferência provocada pelas inovações tecnológicas dentro do cotidiano das pessoas. Na casa da família Arpel, a cozinha é moderna, o portão abre sozinho, o design dos móveis é arrojado - e desconfortável: “Tudo se comunica”. É, na realidade, a própria casa que dita as regras da família. As lajotas indicam onde se deve pisar, a mesa com guarda-sol mostra onde fazer as refeições. A casa vigia e parece ter olhos. Apesar da beleza superficial do seu design moderno, o Arpels em casa são totalmente impessoais: subordinam sua individualidade para manter sua posição social e novas posses.
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Tati enfatiza seus temas em torno do estilo de vida Arpel com tons monocromáticos e dias nublados, cores vivas e brilhantes de luz coincidem apenas com a chegada de visitantes, principalmente do tio Hulot. Tal como acontece com a maioria dos filmes de Tati, Mon Oncle é uma comédia visual, em que cores e iluminação são empregadas para ajudar a contar a história. É praticamente mudo (a não ser que você fale francês) e utiliza da sonoplastia para caracterizar os ambientes, como os ruídos do abre e fecha dos aparelhos "modernos" dos Arpel que faz a casa parecer uma verdadeira fábrica, tornando a relação em família fria - e vazia - como a própria casa onde moram e o canto do passarinho de Hulot.
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Abaixo, um trecho da introdução da Metodologia Científica, Televisão e Ficção Seriada Quarta Parte - As imagens como vetores da atração comunitária de Cláudio Cardoso de Paiva da Universidade Federal da Paraíba.

“Com Jacques Tati, na “mudez musical” do cinema francês, no pós-guerra, as falas proliferam através dos recursos ótico-auditivos. Em “Meu Tio” (1958), Tati fala aos olhos através da mímica, despertando, por meio do cômico, para os aspectos micrológicos do cotidiano, quando os indivíduos mergulharam num estilo de vida em veloz transformação, sob o efeito das novas tecnologias. Tati exibiu como ninguém os ares de solidão e incomunicabilidade do homem moderno, e a sua estratégia feliz no cinema consiste em congregar os solitários e emudecidos do planeta através da irônica visibilidade das imagens. O êxito de Tati está em mostrar criticamente as formas de inadequação, impropriedade e desconexão entre os hábitos antigos e as tecnologias modernas, isto é algo que dificilmente poderia se revelar sem o olhar intrometido e zombeteiro da câmera.”.
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A modernidade é admirada pela família Arpel também fora da casa. Charles, o Sr. Arpel, é dono da fábrica de plásticos Plasta. Nela, fica também evidenciada outra crítica pronunciada por Jacques Tati: a da nova sociedade industrial. O trabalho maçante e repetitivo dos funcionários, que dão ênfase às atividades sob os olhos do patrão.  Representando um período pós-guerra na França, Mon Oncle fala-nos da orientação para ambientes "futuristas", retratando a evolução do design em contraste com os ambientes tradicionais vividos num bairro normal francês e nos mostra a valorização exacerbada pelas classes média-altas a esses valores, em detrimento de valores de maior proximidade com o outro. 
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