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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Taylorismo

Fonte: Google Imagens
Taylorismo ou Administração científica é o modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro estadunidense Frederick Taylor (1856-1915). Caracteriza-se pela ênfase nas tarefas, objetivando o aumento da eficiência ao nível operacional. Taylor propunha uma intensificação da divisão do trabalho, ou seja, fracionar as etapas do processo produtivo de modo que o trabalhador desenvolvesse tarefas ultra-especializadas e repetitivas. Diferenciando o trabalho intelectual do trabalho manual. Fazendo um controle sobre o tempo gasto em cada tarefa e um constante esforço de racionalização, para que a tarefa seja executada num prazo mínimo. O fato mais marcante da vida de Taylor foi o livro que publicou em 1911 "Princípios de Administração Científica". A ideia principal do livro é a racionalização do trabalho que nada mais é que a divisão de funções dos trabalhadores. Taylor acredita na ideia da eficiência e eficácia que é a agilidade e rapidez dos funcionários gerando lucro e ascensão industrial. Taylor era interessado em engenharia e em problemas com o tempo dos funcionários. Nota-se a influência de Taylor no livro "Estudo de movimentos" onde Gilbreth menciona o desperdício de terra por meio da erosão, mas diz que isso não é nada, se comparado com o desperdício de produtividade humana. Para resolver esse problema, Gilbreth propunha o estudo sistemático e a racionalização dos movimentos necessários para a execução das tarefas. 
Fonte: Google Imagens
Princípios Fundamentais do livro de Taylor "Princípios de Administração Científica":
·        Princípio do Planejamento: Substituir os métodos empíricos por métodos científicos e testados.
·        Princípio da Seleção: Como o próprio nome diz seleciona os trabalhadores para sua melhores aptidões e para isso são treinados e preparados para cada cargo.
·        Princípio de Controle: Supervisão feita por um superior para verificar se o trabalho está sendo executado como foi estabelecido.
·        Princípio de Execução: Para que haja uma organização no sistema as distribuições de responsabilidades devem existir para que o trabalho seja o mais disciplinado possível.

Exemplos

  • A Guerra de 1914-1918 deu aos americanos oportunidades de aplicar em larga escala e mostrar aos europeus novos padrões de eficiência de operação militar. Os franceses ficaram profundamente impressionados com a velocidade das tropas americanas na construção de cais, estradas e linhas de comunicação.
  • As empresas automobilísticas também são exemplos possíveis para o taylorismo, afinal é impossível imaginar uma empresa de produção automobilística sem divisões de tarefas para cada funcionário, linha de montagem, prêmios para aqueles que conseguem atingir uma determinada meta na produção.
  • O princípio do controle é notado em diversas empresas de foco comercial e em diversas fábricas, onde é visível a presença de supervisores e "superiores" em geral vistoriando os trabalhadores em suas tarefas.
  • O princípio da execução, que basicamente pode ser resumido na atribuição de responsabilidades visando uma execução do trabalho o mais disciplinada possível, pode ser visto atualmente em quase todas as empresas departamentalizadas, já que isso é uma forma de atribuição de responsabilidades distintas visando a melhor execução do trabalho. 

Metodologia taylorista de estudo 

Taylor tinha o objetivo de acelerar o processo produtivo, ou seja, produzir mais em menos tempo, e com qualidade.

  • Segundo Taylor, à gerência caberia: afixar trabalhadores numa jornada de trabalho controlada, supervisionada, sem interrupções, a seu controle da, podendo o trabalhador só parar para descansar, quando for permitido, particularização de cada movimento.
  • Taylor afirma que a gerência não podia deixar o controle do processo de trabalho nas mãos dos trabalhadores, neste caso como os trabalhadores, conheciam mais a função do que o gerente, estes deveriam aprender os métodos de trabalho para então cobrar dos trabalhadores;
  • Ele procurava a eficiência no trabalho, por isso tinha que eliminar todos os desperdícios de tempo;
  • Para Taylor o processo de trabalho não devia estar nas mãos dos trabalhadores, e que de fato estava através do trabalho combinado, sua grande descoberta foi os conhecimentos da produção do processo combinada. Estava concentrado mais nos operários do que na gerência, e neste caso esse processo e as decisões deveriam passar por ela e não pelo trabalhador.
  • Com o conhecimento da produção a gerência poderia estabelecer os tempos necessários: assim, fixou a distribuição do tempo de trabalho.
Taylor não estava interessado no avanço tecnologia, mas preocupado em controlar o trabalho a qualquer nível de tecnologia.
  • Fez pesquisa para analisar como o trabalhador poderia produzir mais num ritmo de trabalho controlado.
  • Também acreditava que o trabalhador devia apenas aprender a executar uma função, não podia perder tempo analisando o trabalho, visto que ele não tinha nem tempo para isso, nem dinheiro, isso caberia a gerência. 

Organização racional do trabalho

Objetivava a isenção de movimentos inúteis, para que o operário executasse de forma mais simples e rápida a sua função, estabelecendo um tempo médio, a fim de que as atividades fossem feitas em um tempo menor e com qualidade, aumentando a produção de forma eficiente.
  • Estudo da fadiga humana: a fadiga predispõe o trabalhador à diminuição da produtividade e perda de qualidade, acidentes, doenças e aumento da rotatividade de pessoal.
  • Divisão do trabalho e especialização do operário* Análise do trabalho e estudo dos tempos e movimentos, cada um se especializaria e desenvolveria as atividades em que mais tivessem aptidões.
  • Desenho de cargos e tarefas: desenhar cargos é especificar o conteúdo de tarefas de uma função, como executar e as relações com os demais cargos existentes.
  • Incentivos salariais e prêmios por produtividade
  • Condições de trabalho: O conforto do operário e o ambiente físico ganham valor, não porque as pessoas merecessem, mas porque são essenciais para o ganho de produtividade
  • Padronização: aplicação de métodos científicos para obter a uniformidade e reduzir os custos
  • Supervisão funcional: os operários são supervisionados por supervisores especializados, e não por uma autoridade centralizada.
  • Homem econômico: o homem é motivável por recompensas salariais, econômicas e materiais.
A empresa era vista como um sistema fechado, isto é, os indivíduos não recebiam influências externas. O sistema fechado é mecânico, previsível e determinístico. Porém, a empresa é um sistema que se movimenta conforme as condições internas e externas, portanto, um sistema aberto e dialético.

Críticas ao modelo

O modelo ignorava as necessidades dos trabalhadores, além do contexto social, gerando muitas vezes conflitos e choques, às vezes violentos, entre administradores e trabalhadores. Como conseqüência, os trabalhadores geralmente se sentiam explorados, uma vez que sentiam que esse tipo de administração nada mais era do que uma técnica para fazer o operário trabalhar mais e ganhar relativamente menos. Isso era o oposto do que Taylor e seus seguidores imaginavam quando pensaram na harmonia e cooperação desse sistema. Outra crítica ao modelo é a de que ele transformou o homem em uma máquina. O operário era tratado como uma engrenagem do sistema produtivo, passivo e desencorajado de tomar iniciativas, já que os gerentes não ouviam as idéias das classes hierarquicamente inferiores, consideradas desinformadas. Além disso, o modelo tratava os indivíduos como um só grupo, não reconhecendo a variação entre eles, gerando descontentamento por parte dos trabalhadores. Essa padronização do trabalho seria mais uma intensificação deste do que uma forma de racionalizá-lo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Panóptico


Ao estudar a "Sociedade Disciplinar", Foucault constata que a sua singularidade reside na existência do Desvio diante a Norma. E assim, para "normalizar" o sujeito moderno, foram desenvolvidos mecanismos e dispositivos de vigilância, capazes de interiorizar a culpa e causar no indivíduo remorsos pelos seus atos.
Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/
Dentre os dispositivos de vigilância do início do século, podemos destacar o Panóptico, de Jeremy Bentham, um mecanismo arquitetural, utilizado para o domínio da distribuição de corpos em diversificadas superfícies (prisões, manicômios, escolas, fábricas). O Panóptico era um edifício em forma de anel, no meio do qual havia um pátio com uma torre no centro. O anel dividia-se em pequenas celas que davam tanto para o interior quanto para o exterior. Em cada uma dessas pequenas celas, havia, segundo o objetivo da instituição, uma criança aprendendo a escrever, um operário a trabalhar, um prisioneiro a ser corrigido, um louco tentando corrigir a sua loucura, etc. Na torre havia um vigilante.
Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/
Como cada cela dava ao mesmo tempo para o interior e para o exterior, o olhar do vigilante podia atravessar toda a cela; não havia nenhum ponto de sombra e, por conseguinte, tudo o que o indivíduo fazia estava exposto ao olhar de um vigilante que observava através de persianas, de postigos semi-cerrados de modo a poder ver tudo sem que ninguém ao contrário pudesse vê-lo. 
Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/
O panoptismo corresponde à observação total, é a tomada integral por parte do poder disciplinador da vida de um indivíduo. Ele é vigiado durante todo o tempo, sem que veja o seu observador, nem que saiba em que momento está a ser vigiado. Dissociando-se o par ver/ser visto, automatiza-se e desinvidualiza-se o poder.
O Panóptico organiza espaços que permitem ver, sem ser vistos, portanto, uma garantia de ordem. Assim, a vigilância torna-se permanente nos seus efeitos, mesmo que não fosse na sua ação. Mais importante do que vigiar o prisioneiro o tempo inteiro, era que o mesmo se soubesse vigiado. Logo, não era finalidade do Panóptico fazer com que as pessoas fossem punidas, mas que nem tivessem a oportunidade para cometer o mal, pois sentiriam-se mergulhadas,  imersas num campo de visibilidade. Em suma, o Panóptico desfaz a necessidade de combater a violência física com outra violência física, combatendo-a antes, com mecanismos de ordem psicológica.

A essência do Panóptico reside na centralidade da situação de inspeção, ou na construção, sem duvida ficcional, de uma espécie de "inspetor central", onipotente, onipresente e, principalmente, onividente.
O Panóptico (...) deve ser compreendido como um modelo generalizável de funcionamento; uma maneira de definir as relações de poder com a vida cotidiana dos homens. Bentham sem duvida o apresenta como uma instituição particular, bem fechada em si mesma. muitas vezes se fez dele uma utopia do encarceramento perfeito. Todo o Panóptico, na verdade, é estruturado como uma ficção. É precisamente a aparente onipresença do inspetor que sustenta a perfeita disciplina no Panóptico, controlando os movimentos de transgressão entre os internos. Entretanto, como a onipresença não pode ser um atributo humano, resta forjá-la, simulá-la, quer por rondas aleatórias, quer pela arquitetura do lugar, que permite a cada um dentro das celas ser facilmente visto, ao mesmo tempo em que dificilmente vê quem o vê. Em última análise, o inspetor perfeito, o inspetor onipresente, é aquele que nunca aparece - mas que pode aparecer a qualquer instante. O inspetor perfeito é, enfim, uma voz, um olho, um ofício carimbado, uma sombra indistinta no fundo do corredor.

Neste tipo de instituições, nós somos vistos, ou pensamos que somos vistos, sem vermos aquele que vê, nós escutamos uma voz, sem vermos o dono da voz. O Panóptico deve ser governado por um olhar e por uma voz desconectados do seu portador. O inspetor torna-se, então, uma espécie de fantasma. Em última instância, é uma entidade de ficção - ele não existe. Justamente por isto, ele pode provocar um medo superior ao de um guarda real, por mais cruel que esse guarda fosse.

O esquema Panóptico pode ser utilizado sempre que se deseja impor uma tarefa ou um comportamento a uma multiplicidade de indivíduos. O Panóptico (...) permite aperfeiçoar o exercício do poder. E isto de várias, maneiras: porque pode reduzir o número dos que o exercem, ao mesmo tempo que multiplica o número daqueles sobre os quais é exercido (...) Sua força é nunca intervir, é se exercer espontaneamente e sem ruído (...) Vigiar todas as dependências onde se quer manter o domínio e o controle. Mesmo quando não há realmente quem, assista do outro lado, o controle é exercido. O importante é (...) que as pessoas se encontrem presas numa situação e poder de que elas mesmas são as portadoras (...) o essencial é que elas se saibam vigiadas. 

As instituições panópticas são leves e fáceis de manipular, utilizam princípios simples de correção e adestramento. É uma espécie de campo experimental de poder, assegura a sua economia, a sua eficácia e o seu funcionamento.

Ville Radieuse

Fonte: Google Imagens
O urbanismo modernista foi muito influenciado por Le Corbusier com o plano da Ville Radieuse de 1933, com o qual prometeu um futuro com luz do sol, ar fresco e zonas verdes para os habitantes da cidade. A nova cidade de Le Corbusier constaria de gigantes blocos de apartamentos e grandes espaços ajardinados. Uma visão utópica pós-guerra, para conversão de favelas a lugares limpos, e de modernos apartamentos, o qual foi uma prioridade política. A Ville Radieuse influiu a Carta de Atenas de CIAM de 1933, um documento elogioso das virtudes das cidades e zonas residenciais com torres gigantes, sobre o planejamento urbano nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial.

A Ville Radieuse, “A cidade contemporânea de três milhões de habitantes” proposta por Le Corbusier para o centro de Paris é um mito na história contemporânea do planejamento urbano. A proposta, de acordo a Le Corbusier, poderia aumentar a capacidade das zonas urbanas e, ao mesmo tempo, melhorar o meio ambiente urbano e a eficiência da cidade. Os pensamentos e princípios de desenho incorporados na proposta da Ville Radieuse rapidamente converteram-se em modelo para os arquitetos do pós-guerra. Le Corbusier era ambicioso com a proposta, inclusive propôs demolir toda a parte do centro de Paris, que acarretou várias objeções. 
Fonte: Google Imagens
A Ville Radieuse foi desenhado para acomodar ao menos a seis vezes a população do centro de Paris. Segundo Le Corbusier, o desenho da Ville Radieuse representa um indiscutível ideal da liberdade pessoal. Achava que muitas cidades de princípios do século XX foram caóticas e ineficientes; ele, portanto, chegou com a proposta da Ville Radieuse que tinha os seguintes objetivos:
  • Proporcionar meios eficazes para as comunicações
  • Proporcionar uma grande quantidade de zona verde
  • Proporcionar um melhor acesso ao sol
  • Reduzir o tráfico urbano
Finalmente deram-se conta de que a construção alta era a melhor instância com os melhores meios para cumprir estes objetivos e, ao mesmo tempo, atender a crescente população urbana. O desenho da Ville Radieuse é quase simétrico no centro, o qual é o núcleo de todos os tipos de transporte público. O terminal central é um ponto de acesso ao metrô na parte inferior da coberta do sistema subterrâneo, e o comboio é na parte superior da coberta do sistema subterrâneo. A planta superficial está aberta aos carros e táxis. A parte central está reservada para 24 arranha-céus, que também são os elementos mais controvertidos em todo o desenho. Estes arranha-céus cruciformes são principalmente para fins comerciais e hoteleiros. Em todos os arranha-céus com dimensões de 190m x 190m e uma altura a mais de 200m, foram desenhadas para abrigar de quinhentas mil a oitocentas mil pessoas. Segundo Le Corbusier, esta zona se converteria no centro cívico e a sede de todas as principais empresas. Em torno dos arranha-céus encontram-se uns bairros residenciais que oferecem alojamento para as pessoas que trabalham nos arranha-céus. Estes blocos de moradia conhecem-se como apartamentos, chalés, etc. Dentro destes blocos de moradias, apartamentos e dúplex a cada uma tem seu próprio jardim e cada apartamento seria uma casa por seus próprios meios. As zonas edificadas só representam o 15% do total de superfície de lugar da Ville Radieuse, assim, a formação de canhões de concreto poderia ser evitada e os habitantes desfrutariam da grande quantidade de jardins e áreas verdes ao ar livre. Por outra parte, os apartamentos teriam acesso a plena luz do dia e o problema do ruído urbano se reduziria ao mínimo. Na Ville Radieuse, o distrito de negócios, o distrito residencial, o transporte básico e a rua de lojas comerciais estão organizados em uma forma cartesiana, onde todos os elementos em seu conjunto funcionam como uma “máquina da vida”. À luz do progresso da tecnologia da construção, Le Corbusier achava que milhões de residentes poderiam beneficiar das vantagens deste planejamento racional. Ainda que sua proposta apresentou-se pela primeira vez para o centro de Paris, Le Corbusier propô-la também para adaptar a outros lugares, como em Algiers em Argélia, Barcelona em Espanha, Buenos Aires na Argentina e São Paulo no Brasil. Como se mencionou antes, o plano da Ville Radieuse pode se dividir em dois grandes distritos isto é, o distrito de negócios e o distrito residencial. Os arranha-céus representam a única forma construída no distrito de negócios, enquanto o distrito residencial está composto por três blocos de moradias. Estes blocos de moradias denominam-se moradia “costas-costas”, moradia “celular” e moradia “jardim”.
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Análise
Em primeiro plano, examina-se na atuação da luz do dia nos arranha-céus, já que são os elementos mais controvertidos da proposta da Ville Radieuse. Durante todo o desenvolvimento da cidade, três versões do desenho dos arranha-céus podem se encontrar. A modificação mais importante entre estas três versões do desenho foi a mudança das superfícies uniformes das fachadas por planos com formas amplamente serrada. Segundo Le Corbusier, o benefício destas formas serradas é que formam verdadeiras armadilhas de luz. Além da modificação dos blocos de construção, Le Corbusier propôs também, orientar o plano em sua totalidade da Ville Radieuse ao chamado eixo heliotérmico. O eixo heliotérmico varia do eixo geográfico a razão de 19° para o este de Paris. Le Corbusier achava que o orientar o plano em sua totalidade a este eixo heliotérmico poderia melhorar o rendimento global da luz do dia. O mérito da proposta dos arranha-céus é obviamente, a enorme quantidade de superfície utilizável e espaço aberto que proporciona.
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O legado da Ville Radieuse
Nossa cidade contemporânea parece-se à sua, com torres de escritórios de vidro e moradias em edifícios altos blocos, rodeados de campos de erva com caminhos curvilíneos, mas sem a ordem e o enfoque urbano que ele desejaria. Agora estamos muito familiarizados com a crítica de seu Plano Voisin e a Ville Radieuse, que são responsáveis por inumeráveis desastres urbanos executados em seu espírito. Jane Jacobs, em sua rejeição, disse: "Seus arranha-céus cuidadosamente organizado no parque são uma terrível simplificação excessiva de ordem urbana. Sua rígida separação das funções faz uma verdadeira diversidade impossível; sua grande escala desumana e espaços vazios acabam com a vitalidade de uma atraente cidade”. Em última instância, no entanto, seus planos para a cidade da manhã não são mais que diagramas para levar uma mensagem radical, que têm resultados desastrosos em mãos equivocadas. A resposta de Jacobs aos projetos inspirados pela visão de Le Corbusier é polêmica: “a grande altura de projetos de moradia e de negócios são os que morrem como “ilhas insalubres” da cidade moderna, e os densos e complexos distritos que Le Corbusier queria são as verdadeiras fontes da saúde urbana”. Por que, então, estamos trazendo seus projetos até o dia de hoje? Talvez tivesse bastantes intuições a respeito da forma na que tinha de assumir a cidade comodamente. Ironicamente, ainda estamos cativados pelas ambições e as formas que caracterizam seus planos, que são, naturalmente, de seu tempo, não do nosso. O mundo tem sido testemunha de grandes mudanças desde os anos 20 e se vê influída por um conjunto totalmente novo de fenômenos tecnológicos e condições sociopolíticas. Portanto, seria lógico que nós tratássemos de lhe dar sentido a nosso tempo, e de projetar novos esquemas (com menos efeitos nocivos) em conseqüência.
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Conclusões
As conclusões deste estudo parecem indicar que A Ville Radieuse não é tão radiante como se pensava. A comparação da densidade e a luz do sol potencial entre A Ville Radieuse e os blocos urbanos do Paris atual sugerem que as proposições feitas por Le Corbusier a respeito deste ambicioso plano urbanístico não podem ser totalmente verdadeiras. A proposta pode ser boa em termos de transporte e a disponibilidade de um grande espaço aberto e verde; no entanto, o manejo da luz do dia não parece ser melhor que os sistemas tradicionais de iluminação natural. O efeito do eixo heliotérmico é ambíguo. Ainda que Le Corbusier considerava-o como um dos princípios mais importantes no desenho urbano, seu efeito potencial sobre a luz do dia não se justificou no estudo. Após tudo, a Ville Radieuse, racional e sistêmico plano urbanístico desenhado por Le Corbusier, não parece ser uma opção efetiva para a Paris do século XX.  

domingo, 7 de novembro de 2010

Funcionalismo

Émile Durkheim
Do Latim fungere, ‘desempenhar’. O Dicionário de Ciências Sociais define o funcionalismo como: a perspectiva utilizada para analisar a sociedade e seus componentes característicos enfocando a mutua integração e interconexão deles. O funcionalismo analisa o caminho que o processo social e os arranjos institucionais contribuem para a efetiva manutenção da estabilidade da sociedade. A perspectiva fundamental é oposta às maiores mudanças sociais. É uma doutrina que pretende explicar aspectos da sociedade em termo de funções realizadas ou suas conseqüências para sociedade como um todo, explicar as instituições sociais como meios coletivos de satisfazer necessidades biológicas individuais. Mais tarde se concentrou nas maneiras como as instituições sociais satisfazem necessidades sociais. O funcionalismo é associado com Émile Durkheim e mais recentemente com Talcott Parsons. O estruturo-funcionalismo tem a visão de que a sociedade é constituída por partes (por exemplo: polícia, hospitais, escolas e fazendas), cada uma com suas próprias funções e trabalhando em conjunto para promover a estabilidade social. O estruturo-funcionalismo foi a perspectiva dominante de antropologistas culturais e sociólogos rurais entre a II Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã. Juntamente com a teoria do conflito e o interacionismo funcionalismo é uma das três principais tradições sociológicas.
Talcott Parsons
Uma função social é, "a contribuição feita por qualquer fenômeno a um sistema maior do que o que o fenômeno faz parte". Esse uso técnico não é o mesmo da ideia popular de função como um "evento/ocasião" ou uma obrigação, responsabilidade, ou profissão. Nos anos 60, o funcionalismo era criticado por ser incapaz de se responsabilizar por mudanças sociais ou contradições estruturais e conflito e dessa maneira frequentemente chamada teoria do consenso. Críticos mais fortes incluem o argumento epistemológico que diz que o funcionalismo tenta descrever instituições sociais apenas através de seus efeitos e assim não explica a causa desses efeitos, ou coisa alguma, e o argumento ontológico que a sociedade não pode ter "necessidades" como os seres humanos, e até que se a sociedade tem necessidades elas não precisam ser satisfeitas. Anthony Giddens argumenta que explicações funcionalistas podem todas ser reescritas como descrições históricas de ações e conseqüências humanas individuais. Anterior aos movimentos sociais dos anos 60, o funcionalismo foi a visão dominante no pensamento sociológico; depois daquele tempo a teoria de conflito desafiou a sociedade corrente, defendida pela teoria funcionalista. Cohen argumenta que mais do que necessidades, a sociedade tem fatos tendenciais: característica do ambiente social que sustenta a existência de instituições sociais particulares mas não as causa.
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Talcott Parsons (1902-1979) era obsessivo por determinar a função que os indivíduos desempenhavam na estrutura social visando a excelência das coisas. Era um estudioso da Estratificação Social não da mudança ou da transformação, admirador da organização de um formigueiro, no qual o papel dos indivíduos (das operárias à rainha-mãe) é devidamente pré-determinado e ordenado em função da manutenção e aperfeiçoamento de um sistema maior.
Ocorre que Parsons, que também foi tradutor da obra de Max Weber e seu difusor nos Estados Unidos, foi contemporâneo das linhas de montagem, a Scientific Management, o chamado Gerenciamento Científico, introduzidas por F.Taylor (1856-1915) e por Henry Ford (1863-1947), cujas espantosas modificações no processo produtivo, verdadeiramente revolucionárias, foram necessárias à produção em massa. A nova maneira de produzir os manufaturados começou a ser adotada em larga escala a partir da Primeira Guerra Mundial, difundindo-se de modo impressionante nos anos de 1920 por boa parte do mundo. Pode-se então dizer que Talcott Parsons foi, antes de tudo, o intelectual orgânico das novas técnicas produtivas adotadas pelas industrias: o taylorismo e o fordismo.
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Desinteressando-se dos aspectos da transformação social sua inclinação deu-se em favor do equilíbrio e do consenso. Naturalmente que isso o posicionou a entender o indivíduo como expressão das estruturas, as quais ele devia manter e preservar. Caso isso não ocorresse entravam em ação os mecanismos do Controle Social (moral, ética, sistema jurídico e penal, etc.), como um instrumento preventivo ou corretivo. O objetivo de qualquer sociedade era alcançar a homeostasis, a manutenção da estabilidade, do equilíbrio permanente, fazendo com que só pudéssemos entender uma parte qualquer a ser estudada em função do todo. Se bem que a organização de formigueiro pudesse atraí-lo, seguramente foi a racionalidade da produção fabril quem determinou a concepção da Teoria Social dele. 
Esquema da visão funcionalista da sociedade
Adaptação (base material)
Objetivos a alcançar (sistema político)
Integração (sistema educacional)
Manutenção pela educação dos modelos culturais (na família/pela elite do poder)

Para os funcionalistas, a sociedade está constituída por subsistemas (estruturas) que operam (funcionam) de modo interdependente. Cada um dos componentes do sistema, suas partes, tal como uma peça qualquer em relação a uma máquina, desempenha papéis que visam contribuir para estabilidade e ordem social, por isso tal abordagem ou teoria é chamada de funcionalismo-estrutural. A partir dessa visão totalizadora da sociedade, o passo seguinte é determinar os seus componentes básicos formados pela economia, o sistema político, a família e o sistema educativo em geral, com seus valores e crenças bem definidos. Para os funcionalistas estes componentes atuam por interação, tendo capacidade de adaptação para enfrentar os imprevistos e as exigências de mudanças que surgem aqui e acolá.
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A estratificação social é definida como: “classificação diferenciada dos indivíduos humanos que compõem um sistema social dado e seu tratamento como superior ou inferior relativo a um outro em determinadas situações sociais importantes"
Linha central fundamental da estratificação: atribuições versus realização:
1. O status atribuído: resultados do nascimento ou das qualidades biológicas hereditárias (por exemplo idade, sexo)
2. O status alcançado: resultado das ações pessoais (esforço, trabalho duro, talento)
Avaliação Moral
Expectativa feita na base da avaliação moral, tendo por resultado graus de respeito ou de desaprovação (status)
Seis bases da avaliação moral diferencial:
1. Sociedade na unidade do parentesco (pelo nascimento, pela união)
2. Qualidades pessoais (sexo, idade, beleza pessoal, valor e força da inteligência)
3. Realizações (resultado de ações do indivíduo)
4. Possessões (coisas materiais e não-materiais que pertencem a um individual e pode ser transferida)
5. Autoridade (reconhecimento institucional, direito legítimo para poder influenciar as ações de outras)
6. Poder (habilidade de influenciar outros e fixar possessões que não sancionadas institucionalmente)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Organicismo

O organicismo representa uma tendência do pensamento que constrói sua visão do mundo sobre um modelo orgânico e tem origem na filosofia idealista. O positivismo, que fundamenta a interpretação do mundo exclusivamente na experiência, adota como ponto de partida a ciência natural e tenta aplicar seus métodos no exame dos fenômenos sociais. Assim, os primeiros conceitos positivistas foram elaborados de acordo com analogias orgânicas, três das quais são fundamentais para a compreensão dessa corrente sociológica:

(1) o conceito teleológico da natureza, que implica uma postura fatalista, já que as metas a serem alcançadas estão predeterminadas, o que impede qualquer tentativa de alterá-las;
(2) a idéia segundo a qual a natureza, a sociedade e todos os demais conjuntos existentes perdem vida ao serem analisados e por isso não se deve intervir em tais conjuntos. Essa noção leva, em conseqüência, à adoção de uma atitude de laissez-faire; e
(3) a crença de que a relação existente entre as diversas partes que compõem a sociedade é semelhante à relação que guardam entre si os órgãos de um organismo vivo.
Louis Sullivan
Tal como outros conceitos originários de outros campos do conhecimento e tomados de empréstimo pela crítica arquitetônica, é relativamente difícil precisar o seu alcance e delimitação assim como as suas expressões formais e estéticas. Confirma-se, no entanto, nos mais coerentes trabalhos de recorte organicista, a preferência pelas geometrias mais complexas e pelas formas curvas e integradoras. O organicismo teve como precursor o arquiteto americano Louis Sullivan (1856-1924), mentor da Escola de Chicago, acompanhando assim o nascimento da arquitetura moderna. Mais tarde, em pleno período Arte Nova, o europeu Henry Van de Velde (1863-1957) desenvolveu uma linguagem impregnada de referências vegetalistas e de linhas curvas, patente, por exemplo, no Teatro do Werkbund.
Outro dos caminhos seguidos pela arquitetura organicista foi o movimento expressionista que teve como expoente máximo o arquiteto alemão Erich Mendelsohn (1887-1953). A liberdade formal, experimentada nos seus desenhos de juventude, encontrou concretização nos primeiros projetos, como a Torre Einstein, em Potsdam (1921-1924), na qual conseguiu, através do uso de formas curvas integradoras, uma unidade formal de referência biomórfica. Outro dos temas desenvolvidos por Mendelsohn, nomeadamente em edifícios industriais foi o da relação íntima entre as formas e os volumes e a paisagem envolvente.

Frank Lloyd Wright
Um dos protagonistas máximos desta tendência estética foi o americano Frank Lloyd Wright, discípulo de Sullivan. Foi, aliás, este arquiteto que, em 1908, pela primeira vez empregou o termo orgânico enquanto categoria expressiva da arquitetura. Alguns dos seus trabalhos tornaram-se paradigmas da arquitetura organicista, ora pela solução morfológica, como o Museu Guggenheim de Nova Iorque, com a sua grande sala de exposições em forma de rampa helicoidal, ou a Casa da Cascata (1935), expoente da procura de harmonia absoluta entre os vários elementos construtivos e de continuidade fluida entre os espaços assim como da cuidada integração na paisagem.
Hugo Häring
Hugo Häring, que construiu muito pouco, entendia o conceito de edifício orgânico como algo que se desenvolve de forma espontânea, em perfeita harmonia com a natureza. As suas idéias foram concretizadas por Hans Scharoun e pelo finlandês Alvar Aalto, um dos mais fecundos arquitetos organicistas pela radical rejeição de princípios formais rígidos e determinantes, enveredando pela pesquisa de projetos com base em geometrias complexas que fazem referência a formas naturais e que prestam atenção ao caráter topográfico do terreno e da envolvente construída.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Positivismo



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O Positivismo é uma corrente filosófica do começo do século XIX nascida na França. O principal idealizador do positivismo foi Augusto Comte, francês (1798-1857), criador da teoria dos três estados do conhecimento humano. Comte viveu num tempo intermediário entre o apagar das luzes do iluminismo e a era das grandes generalizações em ciência, um tempo em que o mundo natural parecia acessível à força do intelecto, no culminar do pensamento mecânico da Revolução Industrial. Comte morreu dois anos antes de Darwin publicar A Origem das Espécies, em 1859. Também não viveu o suficiente para ver a publicação de O Capital (1867-1894), por seus contemporâneos Karl Marx e Friedrich Engels, embora tivesse visto o Manifesto Comunista. Esse pequeno contexto histórico ajuda a entender a filosofia de Comte. A ciência moderna acabou com as esperanças de uma realidade universal harmoniosa e ordenada, que pudesse ser traçada a régua e compasso. O determinismo científico ruiu: as leis naturais são meras abstrações e idealizações do intelecto, carecendo de qualquer existência objetiva. O mundo é, confuso, caótico, dominado pelo princípio da incerteza. É assim na física, é assim na sociedade.
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Ele definiu a palavra "positivo" com sete acepções: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático. Significava o real, por oposição ao quimérico, o útil em oposição ao ocioso, a certeza em oposição à indecisão, o preciso em oposição ao vago, o relativo em oposição ao absoluto... Para Comte, o Positivismo é uma doutrina filosófica, política, altruísta, científica e industrial, que tem por objetivo incrementar o progresso do bem-estar moral, intelectual e material. Surgiu como desenvolvimento sociológico do Iluminismo, das crises social e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial - processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799). O positivismo acompanhou e estimulou a organização técnico-industrial da sociedade moderna e fez uma exaltação otimista do industrialismo. Nesse sentido, pode-se compreendê-lo como produto da sociedade técnico-industrial que, ao mesmo tempo, a leva esta mesma sociedade a desenvolver-se e consolidar-se. Teve impulso, graças ao desenvolvimento dos problemas econômico-sociais, que dominaram o mesmo século XIX. Sendo grandemente valorizada a atividade econômica, produtora de bens materiais, é natural se procure uma base filosófica positiva, naturalista, materialista, para as ideologias econômico-sociais.
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Basicamente, a característica essencial ao positivismo, tal qual o concebeu Comte, é a devoção à ciência. A partir da ciência propunha-se reformular a sociedade para que se obtivesse ordem e progresso. No plano político-social o estado positivo se caracteriza pela passagem do poder material para o controle dos industriais. Assim, Comte afirma que a sociedade dever ser dividida em classes, em dirigentes e dirigidos, como forma de se manter em harmonia na convivência social. Essa visão mostra que Comte considerava a sociedade como um organismo heterogêneo, mas cujas partes deveriam trabalhar solidárias para o bem de todo. Comte assim divide o estudo da estrutura social em dois campos principais: o estudo da ordem social, que ele denomina de estática social e o estudo da evolução da sociedade, que recebe o nome de dinâmica social. Em suma, como doutrina e método, o Positivismo passa a enfrentar a sociedade individualista e liberal, através da ordem e progresso, que Comte considerava fonte principal de todo sistema político. Finalmente teve uma proposta audaciosa de modificar a sociedade através de um novo paradigma social.
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O positivismo admite, como fonte única de conhecimento e critério de verdade, a experiência, os fatos positivos, os dados sensíveis. Para Comte, o método positivista consiste na observação dos fenômenos, subordinando a imaginação à observação. A ciência é superior a todo o resto. Daí acreditar o positivismo firmemente no progresso. Trata-se, porém, de um progresso concebido naturalisticamente, quer nos meios quer no fim, para o bem-estar material. O positivismo fica no mesmo âmbito do idealismo e do pensamento moderno em geral, defendendo o absoluto do fenômeno e limita-se à experiência imediata, pura, sensível, como já fizera o empirismo. Daí a sua pobreza filosófica, mas também o seu maior valor como descrição e análise objetiva da experiência - através da história e da ciência. Compreende-se então porque elas são fecundas no campo prático, técnico, aplicado. O Positivismo torna-se doutrina enquanto preconizava que todos os fatos da sociedade devem seguir essa natureza precisa e científica. De acordo com os positivistas somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comprovada através de métodos científicos válidos. O método científico compreende quatro etapas: observação, matematização, suposição e experimentação. Os positivistas não consideram os conhecimentos ligados as crenças, superstição ou qualquer outro que não possa ser comprovado cientificamente. Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos, sendo que as ciências podem ser classificadas em cinco áreas: Astronomia, Física, Química, Biologia e Sociologia. Comte nega as causas eficientes e finais, o infinito e o absoluto, para reconhecer apenas o relativo, o sensível, o fenomenal e o útil. “Tudo é relativo, e isso é a única coisa absoluta” é o axioma fundamental do Positivismo.
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No "Curso de Filosofia Positiva" Comte formulou a "lei dos três estados" da evolução humana: O estado teológico, em que a humanidade vê o mundo e se organiza a partir dos mitos e das crenças religiosas; O estado metafísico, baseado na descrença em um Deus todo-poderoso, mas também em conhecimentos sem fundamentação científica; e O estado positivo, marcado pelo triunfo da ciência, que seria capaz de compreender toda e qualquer manifestação natural e humana. Passados mais de 150 anos da publicação do "Curso", talvez não fosse necessário dizer que é inerente ao positivismo uma romantização da ciência, que atribuiu ao conhecimento científico uma onipotência não comprovada pela realidade. Atualmente, sabe-se que a ciência não só resolve problemas, como também os cria: veja-se como um exemplo a interferência danosa do desenvolvimento industrial no meio ambiente.
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O Positivismo pode ser considerado uma reação ao Romantismo e ganhou força na Europa na segunda metade do século XIX e começo do XX, período em que chegou ao Brasil. Serviu de embasamento social-filosófico-político para vários movimentos políticos do século XIX como a campanha abolicionista e o advento da República no Brasil. A conformação atual da bandeira é um reflexo da influência positiva.  A frase Ordem e Progresso é inspirado pelo lema de Auguste Comte: L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but ("Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta"): Ordem, progresso e ciência como religião da humanidade, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziria para a perfeita orientação ética da vida social. O que torna Comte e o Positivismo ultrapassados no contexto atual é sua ênfase no determinismo, na hierarquia e na obediência, sua crença no governo da elite intelectual e sua insistência em desprezar a teologia e a metafísica.
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Existezminimun

Ao final dos anos 1920 na Alemanha, a divulgação das idéias do novo modo de se gerenciar uma casa, aliada à atuação de arquitetos como Bruno Taut gerou como solução a proposta da casa para uma subsistência, ou existência mínima (Die Wohnung für das Existezminimum).



E a culminação disso tudo foi o projeto da conhecida Cozinha de Frankfurt, pela arquiteta austríaca Grette Schütte-Lihotsky22, exibida na Die neue Wohnung und ihs Innesausbau, em 1925, e logo incorporada em diversos projetos residenciais construídos nessa cidade por Ernst May. Trata-se de uma Kochküche, cozinha para se cozinhar, pequena e com uma aura de modernidade que vinha do uso da eletricidade.



A novidade atravessou de volta o Atlântico e, em 1934, o livro Modern Housing, de Catherine Bauer e editado em Nova York saudava a cozinha de Schütte-Lihotsky como uma das grandes conquistas da nova arquitetura (Bullock, 1988:188).



sábado, 2 de outubro de 2010

Le Corbusier

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Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido como Le Corbusier, foi um arquiteto, urbanista e pintor francês de origem suíça. É considerado juntamente com Frank Lloyd Wright, Alvar Aalto, Mies van der Rohe e Oscar Niemeyer, um dos mais importantes arquitetos do século XX. Foi um arquiteto que constituiu um marco muito importante no desenvolvimento da arquitetura moderna. Dedicou todo o seu talento e energia à criação de uma nova e radical forma de expressão arquitetônica.
Le Corbusier teve um percurso artístico muito sobressaltado. Passou por muitas fases e renegou algumas das suas convicções iniciais. A sua postura na arquitetura passava muito pela ação/intervenção: formulação de teses e imediata aplicação em projetos, como a Villa Savoye, o Bloco de Marselha, o Convento de La Tourette... Mas muitos ideias ficaram no papel: em desenhos, como o Plano Voisin, a Ville Radieuse, o Plano Obus para Argel, ou em escritos. Note-se que algumas das suas teorias foram responsáveis por muitos dos males que afligiram e afligem as nossas arquiteturas e as nossas cidades: a teoria do zoneamento como forma de organização do território; os blocos habitacionais sobre pilares no meio da “Natureza”; a arquitetura/receita para qualquer lugar do planeta...
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Le Corbusier foi um dos criadores dos CIAM. Lançou, em seu livro Vers une architecture (Por uma arquitetura), as bases do movimento moderno de características funcionalistas. Sua pesquisa baseada nas necessidades humanas revolucionou (juntamente com a atuação da Bauhaus na Alemanha) a cultura arquitetônica do mundo inteiro. Sua obra, ao negar características histórico-nacionalistas, abriu caminho para o international style, que teria representantes como Mies van der Rohe, Walter Gropius, e Marcel Breuer. Sua influência estendeu-se principalmente ao urbanismo. Foi um dos primeiros a compreender as transformações que o automóvel exigiria no planejamento urbano. A cidade do futuro, na sua perspectiva, deveria consistir em grandes blocos de apartamentos assentes em pilotis, deixando o terreno fluir debaixo da construção, o que formaria algo semelhante a parques de estacionamento. Defendia que, "por lei, todos os edifícios deviam ser brancos", criticando qualquer esforço artificial de ornamentação. Suas estruturas foram largamente criticadas por serem monótonas. A cidade de Brasília foi concebida segundo as suas teorias.

Entre as contribuições de Le Corbusier à formulação de uma nova linguagem arquitetônica para o século XX se encontram os cinco pontos, formalizados no projeto da "Villa Savoye": Construção sobre pilotis; Terraço-jardim; Planta livre da estrutura; Fachada livre da estrutura e Janela em fita.
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A importância de Le Corbusier advém, em grande parte, das viagens que fez a várias partes do mundo, em que entrou em contato com estilos diversos, de épocas diversas. Da visita a Itália, a influência mais marcante será a Cartuxa de Ema. Fica impressionado pela forma como a organização do espaço expressa as suas preocupações sócio-políticas. Em La Chaux-de-Fonds fará a aplicação prática das sua reflexões em relação a esta viagem, através de um projeto para uma escola de artes com ideias socialistas, em que sintetizou um modelo "clássico" de arquitectura segundo as suas ideias de funcionalidade. Em 1910, Corbu (diminutivo muito usado) vai para a Alemanha, onde estuda os novos movimentos de artes aplicadas e escreve o "Estudo sobre o movimento de arte decorativa na Alemanha". Em Berlim que entrará em contacto com Peter Behrens, Walter Gropius e Mies Van der Rohe (algumas das figuras principais do Deutsche Werkbund). Em 1911, ainda na Alemanha, encontra-se com Heinrich Tessenow, autor da cidade jardim de Hellerau que influenciou suas obras Villa Jeanneret Perret (1912) e o Cinema Scala (1916).  Em maio desse ano parte para a  "voyage d'Orient" acompanhado pelo seu amigo Auguste Klipstein. Ao longo desta viagem irá desenvolver a sua perspectiva pessoal sobre a arte arquitectónica. A Villa Schwob, em La Chaux-de-Fonds, chamada popularmente de "Villa Turca" é o exemplo mais flagrante, chegando a insinuar a existência de um harém. Os seus célebres "cinco pontos para uma nova arquitetura" estão claramente influenciados pelas referência orientais O uso da fachada livre e da planta livre  advém de um átrio central que marca e determina a circulação e a disposição dos espaços e fachadas. Os próprios terraços, como na Villa Savoye são reminiscências da arquitectura do norte da África. As suas noções de clareza das superfícies e precisão na disposição dos volumes, que estarão presentes no purismo, são também já pressentidos por Corbusier neste género de arquitectura tradicional.  Paredes brancas e estudos sobre a posição estratégica dos monumentos islâmicos em relação à topografia colaboram para as suas concepções sobre a forma como a arquitectura se relaciona e encoraja essa relação com a natureza. A viagem à América do Sul foi inserida na altura em que desenvolvia o projecto da sua Ville Radieuse, e proporcionou-lhe a experiência de ver o Rio de Janeiro a partir do ar. A disposição da cidade, entalada entre o mar e o relevo escarpado de origem vulcânica sugeriu-lhe a ideia de uma cidade-viaduto (cidade linear). Este género de cidade foi, depois, adoptado por arquitetos vanguardistas, defensores da anarquia, como Yona Friedman e Nicolaas Habraken.

Entre seus projetos mais famosos se encontram:
Villa Savoye
Unidades de Habitação - Construção modularizada e estudo das proporções humanas aplicadas ao projeto de edificações (O modulor).
Conjunto de edifícios-sede da Organização das Nações Unidas - Um dos representantes máximos do International style.
Palácio da Assembléia em Chandigarh, 1953. Adotação de um partido mais brutalista em seus projetos.
Chapelle Notre-Dame-du-Haut - capela em Ronchamp, França, 1955.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Team X

É um grupo (sem vínculo formal) de jovens arquitetos modernos que iniciaram uma crítica aos preceitos dos CIAM, principalmente em relação ao urbanismo, ao contestar a famosa Carta de Atenas de Le Corbusier.
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Entre seus membros mais assíduos e importantes estiveram Jaap Bakema, Georges Candilis, Aldo van Eyck, Giancarlo De Carlo, Alison e Peter Smithson e Shadrach Woods. O grupo formava uma "geração mais jovem" que pretendia manter o espírito do CIAM através de uma revisão crítica.
Alguns críticos incluem entre o grupo os nomes: José Coderch, Ralph Erskine, Amancio Guedes, Rolf Gutmann, Geir Grung, Oskar Hansen, Charles Polonyi, Brian Richards, Jerzy Soltan, Oswald Mathias Ungers, John Voelcker e Stefan Wewerka, entre outros.

O Team X propôs recolocar nos projetos o homem real das ruas no lugar do Modulor, homem ideal, de Le Corbusier e da “velha guarda” dos CIAM. As questões das diferenças individuais passaram a ser estudadas no lugar do coletivo ideal. A idéia principal era de devolver a cidade a seus habitantes. Em oposição clara à carta, que pretendia eliminar as diferenças e conflitos da cidade moderna, esses arquitetos querem mostrar que são exatamente essas diferenças e conflitos que tornam as cidades lugares mais sedutores.

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CIAM

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Os Congressos Internacionais da Arquitetura Moderna (do francês Congrès Internationaux d'Architecture Moderne) constituíram uma organização e uma série de eventos organizados pelos principais arquitetos modernos europeus a fim de discutir os rumos da arquitetura, do urbanismo e do design para difundir os princípios do Movimento Moderno, com foco em todos os domínios, como a paisagem, desenho industrial, etc..
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Os CIAM foram fundados em 1928, na Suíça, por um grupo de 28 arquitetos organizados por Le Corbusier, Hélène de Mandrot e Sigfried Giedion. O CIAM foi um dos muitos manifestos do século 20 que pretendeu avançar a causa da "arquitetura como arte social". Outros membros fundadores eram Karl Moser, Hendrik Berlage, Victor Bourgeois, Pierre Chareau, Josef Frank, Gabriel Guevrekian, Max Ernst Haefeli, Hugo Häring, Arnold Höchel, Huib Hoste, Pierre Jeanneret (primo de Le Corbusier), André Lurçat, Ernst May, Fernando García Mercadal, Hannes Meyer, M. Werner Moser, Carlo Enrico Rava, Gerrit Rietveld, Alberto Sartoris, Hans Schmidt, Mart Stam, Rudolf Steiger, Syrkus Szymon, Robert Von der Mühll-Henri, e Juan de Zavala. Outros membros posteriores incluíram Alvar Aalto, Uno Ahren, Louis Herman De Koninck, Fred Forbát e Hamilton Harwell Harris.
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Os CIAM foram responsáveis por discussões e pesquisas inéditas até então, como a busca da residência mínima e o design para as massas, que revolucionaram o pensamento estético, cultural e social do período, além da definição daquilo que costuma ser chamado international style: introduziram e ajudaram a difundir uma arquitetura considerada limpa, sintética, funcional e racional.
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A organização foi muito influente. Não foi apenas empenhada em formalizar os princípios da arquitetura do Movimento Moderno, mas também viu a arquitetura como um instrumento político e econômico que poderia ser usada pelo poder público para promover o progresso social, melhorar o mundo através do desenho de edifícios e do planejamento urbano. Por quase trinta anos, as grandes questões da vida urbana e dos espaços foram discutidos pelos membros da CIAM. Os documentos que produziu, e as conclusões a que chegou, tiveram uma enorme influência sobre a forma de cidades e vilas em todo o mundo.
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A Declaração de La Sarraz, por exemplo, afirmou que a arquitetura não podia mais existir em um estado isolado separado dos governos e da política e que as condições econômicas e sociais afetavam fundamentalmente os edifícios do futuro. A declaração também afirma que a sociedade se tornou mais industrializada, que era vital que os arquitetos e a indústria da construção racionalizassem seus métodos, abraçassem novas tecnologias e lutassem por uma maior eficiência. (Le Corbusier gostava de comparar a eficiência padronizada da indústria automóvel com a ineficiência do setor da construção: o caos das ruas, lojas e casas que existiam nas cidades européias versus uma cidade zoneada, composta por moradias padronizadas e diferentes áreas de trabalho, casa e lazer.).
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O 4º CIAM, de 1933 foi realizado a bordo do navio, o SS Patris II, que partiu de Marselha para Atenas e consistiu em uma análise de 33 cidades para propor que seus problemas sociais poderiam ser resolvidos pela segregação estritamente funcional, bem como a distribuição da população em prédios altos em intervalos espaçados com cinturões verdes que separam cada zona da cidade. Aqui, o grupo discutiu concentrado em princípios de "A cidade funcional", que alargou o âmbito da CIAM da arquitetura no planejamento urbano. 
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Os resultados foram publicados de 1933 até 1942, quando Le Corbusier escreveu "A Carta de Atenas". A Carta não foi efetivamente publicada em 1943, e sua influência seria profundo sobre as autoridades públicas na Europa pós-guerra. Este documento é um dos mais controversos já produzidos pela CIAM. A Carta praticamente definiu o que é o urbanismo moderno, traçando diretrizes e fórmulas que, segundo seus autores, são aplicáveis internacionalmente. A Carta considerava a cidade como um organismo a ser planejado de modo funcional e central, na qual as necessidades do homem devem estar claramente colocadas e resolvidas. Entre outras propostas revolucionárias da Carta está o de que todo a propriedade de todo o solo urbano da cidade pertence à municipalidade, sendo, portanto, público.
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A cidade de Brasília, cujo plano piloto é de autoria do arquiteto e urbanista Lúcio Costa é considerada como o mais avançado experimento urbano no mundo que tenha aplicado integralmente todos os princípios da Carta.
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Com a revisão do movimento moderno empreendido a partir dos anos 70, os CIAM e todo o seu ideário passaram a ser duramente criticados, seja pela dita "monotonia" das paisagens urbanas por ele criadas, seja pelo fato de a Carta alegadamente exagerar na quantificação das necessidades dos indivíduos. Experiências diversas ao redor do mundo que adotaram os ideais modernos em geral tenderam a criar "espaços-de-ninguém", nos quais a definição entre o espaço público e o espaço privado não fica clara, fazendo com que todo o espaço que teoricamente é de todos, passe a não ser de ninguém. Os críticos dos CIAM alegam que seus autores foram ingênuos ao confiar exageradamente nas possibilidades do estado de bem-estar social. Ainda segundo eles, os CIAM, acreditando no poder mediador do Estado, ignoravam o aspecto conflitivo essencial à sociedade, propondo um mundo que não se encaixa nem no capitalismo nem no socialismo.
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Não demorou os arquitetos questionarem as conclusões em Atenas, e se preocuparem sobre a esterilidade da cidade imaginada pelo CIAM. Alison e Peter Smithson foram chefes dos dissidentes. Como os membros da CIAM percorreram o mundo após a guerra, muitas de suas idéias se espalharam e foram adotadas no planejamento da reconstrução da Europa após a II Guerra Mundial. Quando aplicado, muitas dessas idéias foram comprometidas por fortes restrições financeiras, má compreensão dos conceitos, ou de resistência popular. Três anos antes eles haviam descrito as suas preocupações: “O homem pode facilmente identificar-se com o seu próprio lar, mas não é fácil com a cidade na qual está colocado.”. Os Smithsons preocupados que a cidade ideal proposta pelo CIAM conduziria ao isolamento e discriminação da comunidade, assim como os governos europeus estavam se preparando para construir torres em suas cidades em ruínas.
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A última reunião do CIAM foi realizada em 1956. Em meados da década de 1950 ficou claro que a aceitação oficial do Modernismo foi mais forte do que nunca, e ainda as preocupações manifestadas pelo Smithsons e seus aliados de que o movimento estava em perigo de criar uma paisagem urbana que era hostil a harmonia social, aumentaria a um crescendo nas décadas por vir. A organização CIAM dissolvida em 1959, pois os pontos de vista dos membros divergiram. Para uma reforma do CIAM, o grupo Team 10 foi ativo a partir de 1953, e dois diferentes movimentos surgiram a partir dele: o Novo Brutalismo dos membros ingleses (Alison e Peter Smithson) e do estruturalismo dos membros holandeses (Aldo van Eyck e Jacob B. Bakema).
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A demolição do conjunto residencial de Pruitt-Igoe em St. Louis, Missouri, nos EUA é considerada por muitos como o golpe fatal ao modernismo dos CIAM. O Pruitt-Igoe foi um premiado projeto residencial da década de 1950 que testemunhou elevações preocupantes na taxa de violência interna e durante 20 anos passou por um grave processo de degradação. Na década de 1970 o conjunto foi demolido por ordem judicial, em um processo apoiado pela comunidade que ali vivia. Este episódio é também considerado como o ponto de início do Pós-Modernismo.
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Os CIAM foram: 
1928-I CIAM, La Sarraz, Suíça, Fundação dos CIAM 
1929-II CIAM, Frankfurt am Main, Alemanha, A habitação mínima
1930-III CIAM, em Bruxelas, na Bélgica, Uso racional do solo para o Desenvolvimento 
1933-IV CIAM, Atenas, na Grécia, A Cidade Funcional
1937-V CIAM, Paris, França, Habitação e Recuperação 
1947-VI CIAM, Bridgwater, Inglaterra, A reconstrução das cidades
1949-VII CIAM, Bergamo, Itália, Arte e arquitetura
1951-VIII CIAM, Hoddesdon, Inglaterra, O Coração da Cidade
1953-IX CIAM, Aix-en-Provence, França, Habitat
1956-X CIAM, Dubrovnik, na Iugoslávia, Habitat
1959-Otterlo, Países Baixos, Dissolução do CIAM organizado pelo Team X
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