domingo, 26 de setembro de 2010

A máquina de morar de Jacques Tati: a casa positivista

Fonte: Google Imagens
No filme Mon Oncle, Tati contrapõe a forma de viver de Monsieur Hulot e dos Arpel. Essa comparação entre os estilos de vida se dá através de ações e dos elementos físicos que os rodeiam, que são introdutores dos comportamentos, sua causa e conseqüência. É uma lição crítica de arquitetura, na qual se enfrentam dois modos de pensá-la e que são também modos de vivê-la (duas correntes de pensamento) que leva a crise dos dogmas modernos, no X CIAM, através de jovens arquitetos reunidos no Team X. O alvo era o reducionismo positivista que dominava a arquitetura moderna da época. 

No pensamento positivista, a filosofia seria auxiliar ao trabalho cientifico, e teria existência apenas enquanto justificasse e interpretasse a ciência, tida como a mais evoluída forma do conhecimento humano. Seu objetivo era conduzir o homem a uma sociedade perfeita, um império de ordem e progresso onde o individuo é tido como um dado estatístico. Tati faz uma caricatura dessa inserção maquínica como parte da engrenagem da sociedade em que os Arpel representam uma família modelo de comportamentos objetivos como no Existezminimun. 

Os Arpel estão imersos no tempo teleológico do positivismo, que se projeta para o futuro, desligando-se do passado, como ocorre na Paris do Plan Voisin, onde Madame Arpel exibe sua casa, onde tudo é funcional, “tudo se comunica”, ante sua obsessiva mania de limpeza. De encontro a essa sociedade unidirecional vem Monsieur Hulot, vivendo em um labirinto fenomenológico e indiferente a toda idéia de progresso urbanista. Para os arquitetos da época o que valia era o “metro-quadrado” e como se daria sua otimização com as técnicas do Taylorismo. A casa experimenta então, uma fragmentação em unidades mínimas que darão origem, posteriormente, às construções em série. Esse espaço, produto da geometria, encena a exposição de uma família igualitária, trabalhadora, eficiente e saudável uns frente aos outros e para o exterior. 

Tanta higiene, proporcionada pela limpeza e pela transparência exibe um espaço sem densidade e memória, mas bastante moralista e repressivo como no Panóptico de Jeremias Bentham. É um espaço marcado pela vigilância, a exposição do privado, o domínio do entorno pelas janelas do quarto do casal: uma máquina de vigiar a unidade e a ordem. Utiliza-se uma versão doméstica do Panóptico onde casa e jardim são separados apenas por um pano de vidro e onde as concepções médicas encontrarão terreno fértil para promover a saúde através do eixo heliotérmico da casa que se estende ao bairro, como a Ville Radieuse. A natureza é reduzida à “superfície verde”: res extensa + eixo heliotérmico. Tati opõe o jardim dos Arpel com seu peixe-fonte e sua codificação de usos e movimentos com os arrebaldes por onde Monsieur Hulot circula e suas formas mais intensas de socialização. 

Há também uma discussão acerca dos materiais e técnicas industriais da época. Cada material industrializado colaboraria com suas propriedades físicas derivadas de leis e normas, o branco caracterizaria o espaço cartesiano e higiênico, moderno, visível e integrador. Surge o vidro, perfeito em suas propriedades, coincidindo com a ascensão dos valores ideológicos. A casa positivista é a única que encontra seu apogeu no conjunto habitacional, pois se integra a uma engrenagem coletiva superior para conformar e modelar a cidade. O conjunto habitacional sintetiza a metáfora orgânica da célula e o organismo para produzir uma série de objetos-tipo para famílias-tipo. 

As seqüências de Mon Oncle representam também as unidades mínimas de Taylor e da vida dos Arpel, materialização direta da Carta de Atenas, em que habitação, lazer, trabalho e circulação são separados no tempo e no espaço para otimizar a produção da sociedade industrial. Com estas unidades mínimas Le Corbusier organiza sua Ville Radieuse, reino da unidade e da ordem exposta ao eixo heliotérmico, que demonstra, no esplendor da sua perfeição, a necessidade do urbanismo. Assim, a cidade utópica dos Arpel se materializou em Brasília. Vemos reproduzidos na escala da cidade os mecanismos de projeto da casa, feita para ser uma “máquina de morar”, insensível e desvinculada do passado. Nessa época, o arquiteto projetava ligado mais a estética do que a prática, pois expressava a maquinização. O que deixou de estar presente foi a individualização do espaço, pois tudo já fora previsto por outro, o arquiteto moderno. A Villa Arpel expressa bem essas falhas sistemáticas nos seus automatismos, sua ineficiência técnica e suas conseqüências escravizadoras. Falta apropriação do espaço, conforto... Não há estímulos sensoriais que tornam a casa agradável, pelo contrário: a sonoridade metálica e irritante reproduz a da fabrica. Não há prazer, descanso, intimidade. Seu maior relaxamento, a televisão, aponta para a limitação nas formas de pensar e habitar a casa positivista. Ainda hoje a arquitetura encontra dificuldades para superar essa ideologia, profundamente arraigada nas normas que deixou como herança. 

Nossa visita a casa dos Arpel faz-se enviesada e parcial, e seria bem distinta se considerássemos a situação histórica, a explosão demográfica associada à industrialização, o caráter progressista de tantas experiências, o beneficio à qualidade de vida daquelas mesmas regulações e leis, o sentido de resistência da modernidade frente às tendências mais brutalistas do capitalismo selvagem... Enfim, sabemos que estamos condenados a esta fascinação exercida pelo mundo de onde viemos, que nos fez como somos, que nos forneceu as normas com e contra as quais viver, isto a que sempre se denominou “tradição”.

Fonte: A BOA-VIDA - VISITA GUIADA ÀS CASAS DA MODERNIDADE, de IÑAKI ABALOS.

Lições de Arquitetura, de Herman Hertzberger

Neste livro, o arquiteto holandês Herman Hertzberger transmite algumas lições sobre o fazer arquitetônico na atualidade. Sua leitura é um convite à análise do sentido da profissão do arquiteto.
"(...) A arquitetura não pode ser outra coisa senão o interesse pela vida cotidiana, tal como vivida por todas as pessoas; é como o vestuário, que não deve apenas nos vestir, mas ajustar-se bem a nós. O essencial é que, seja lá o que se faça, onde quer que se organize o espaço e de que maneira, ele terá inevitavelmente certo grau de influência sobre a situação das pessoas. A arquitetura, na verdade, tudo aquilo que se constrói, não pode deixar de desempenhar algum tipo de papel nas vidas das pessoas que a usam, e a principal tarefa do arquiteto, quer ele goste, quer não, é cuidar para que tudo o que faz seja adequado a todas estas situações. Não é apenas uma questão de eficácia no sentido de ser prático ou não, mas de verificar se o projeto está corretamente afinado com as relações normais entre as pessoas e se ele afirma a igualdade de todas as pessoas. Toda intervenção nos ambientes das pessoas, seja qual for o objetivo específico do arquiteto, tem uma implicação social. A arte da arquitetura não consiste apenas em fazer coisas belas – nem em fazer coisas úteis, mas em fazer ambas ao mesmo tempo. Tudo o que projetamos deve ser adequado a cada situação que surja; em outras palavras, não deve ser apenas confortável mas também estimulante – e é esta adequação fundamental e ativa que eu gostaria de designar como ‘forma convidativa’: a forma que possui mais afinidade com as pessoas." 
Fonte: Google Imagens
 Prefácio
“Quando discutimos nosso próprio trabalho, temos de nos perguntar o que adquirimos de quem. Pois tudo o que descobrimos vem de algum lugar. A fonte não foi nossa própria mente, mas a cultura a que pertencemos. (...) Tudo o que é absorvido e registrado por nossa mente soma-se à coleção de idéias armazenadas na memória. Uma espécie de biblioteca que podemos consultar toda vez que surge um problema. Assim, essencialmente, quanto mais tivermos visto, experimentado e absorvido, mais pontos de referência teremos para nos ajudar a decidir que direção tomar: nosso quadro de referência se expande. A capacidade para descobrir uma solução fundamentalmente diferente para um problema, i.e., para criar “um mecanismo” diferente, depende da riqueza de nossa experiência (...)”.
A) Domínio Público
1 – Público e Privado
Pública é uma área acessível a todos a qualquer momento; a responsabilidade por sua manutenção é assumida coletivamente. Privada é uma área cujo acesso é determinado por um pequeno grupo ou por uma pessoa, que tem a responsabilidade de mantê-la. (...) Não existe uma única relação humana que nos interesse como arquitetos que se concentre exclusivamente em um individuo ou em um grupo (...), é sempre uma questão de pessoas e grupos em inter-relação e compromisso mútuo, i.e., é sempre uma questão de coletividade e indivíduo, um em face do outro. Se, porém, o individualismo compreende apenas parte da humanidade, o coletivismo só compreende a humanidade como parte; nenhum deles apreende o todo da humanidade, a humanidade como um todo. Os conceitos de “público” e “privado” podem ser vistos e compreendidos em termos relativos como uma série de qualidades espaciais que, diferindo gradualmente, referem-se ao acesso, à responsabilidade, à relação entre a propriedade privada e a supervisão de unidades espaciais especificas.
2 – Demarcações Territoriais
Um espaço pode ser concebido como público ou privado dependendo do grau de acesso, da forma de supervisão, de quem o utiliza, de quem toma conta dele e de suas respectivas responsabilidades.
As gradações de demarcações territoriais são acompanhadas pela sensação de acesso. As vezes é uma questão de legislação, mas, em geral, é exclusivamente uma questão de convenção, respeitada por todos.
Os termos público e privado são colocados a prova e tidos como inadequados, pois muitas vezes  o espaço público é utilizado para interesses particulares, o que coloca seu caráter em questão por meio do uso além de fortalecer a demarcação por parte do usuário dessa área aos olhos dos outros. Foram usados como exemplos as ruas e residências em Bali, os edifícios públicos, a Aldeia de Mörbisch na Áustria, a Biblioteca Nacional em Paris / H. Labrouste e o Edifício de Escritórios Centraal Beheer em Alpeldoorn. O arquiteto tem importante papel nas demarcações territoriais e nas possibilidades de acesso podendo trabalhar com formas, materiais, cores e luz utilizadas além da articulação entre as dependências do projeto.
3 – Diferenciação Territorial
Na planta podemos observar as gradações de acesso público às partes de um edifício, que mostram as características dessas áreas de modo que se possa intensificar ou atenuar a construção posteriormente.
4 – Zoneamento Territorial
As características de cada área dependem de quem se sente responsável por ela. Foram usados como exemplo o Edifício de Escritórios Centraal Beheer, em Alpeldoorn, a Faculdade de Arquitetura do MIT em Cambridge, USA, a Escola Montessori em Delft e o Centro Musical Vredenburg em Utrecht. Em todos esses exemplos a influência dos usuários poderia ser ou foi estimulada para o envolvimento necessário entre a estrutura organizacional e os mesmos.
5 – De Usuário a Morador
Um arquiteto precisa ter tato para criar condições para um maior envolvimento no arranjo e no mobiliamento de uma área para que, enfim, os usuários se tornem moradores. A Escola Montessori em Delft e as Escolas Apollo em Amsterdam ilustram bem essa situação. Como um “ninho seguro” essas escolas proporcionam aos usuários uma sensação de proteção, um lugar que se possa chamar de “meu”.
6 – O “Intervalo”
A soleira fornece a chave para a transição e a conexão entre áreas com demarcações territoriais divergentes e, na qualidade de um lugar por direito próprio, constitui, essencialmente, a condição espacial para o encontro e o dialogo entre áreas de ordens diferentes, o público e o privado. Como exemplo temos a Escola Montessori, Delft, De Overloop, Lar para Idosos, Almere, De Drie Hoven, Lar para Idosos, Amsterdam, Residências Documenta Urbana, Kassel, Alemanha e Cité Napoléon, Paris / M. H. Veugny. Nesses espaços, a concretização da soleira como intervalo significa, em primeiro lugar e acima de tudo, criar um espaço para as boas-vindas e as despedidas, sendo de suma importância para o contato social.
7 – Demarcações Privadas no Espaço Público
O conceito de intervalo é a chave para eliminar a divisão rígida entre áreas com diferentes demarcações territoriais. A questão etsá, portanto, em criar espaços intermediários que, embora do ponto de vista administrativo possam pertencer tanto ao domínio publico quanto ao privado, sejam igualmente acessíveis para ambos os lados, isto é, quando é inteiramente aceitável, para ambos os lados, que o “outro” também possa usá-lo. Assim temos o De Drie Hoven, Lar para Idosos, Amsterdam, as Residências Diagoon, Delft e as Moradias LiMa, Berlim. Nesses espaços os moradores sentem-se mais inclinados a expandir sua esfera de influencia em direção a área publica, aprimorando a qualidade do espaço publico pelo interesse comum. Há até mesmo uma área da rua com a qual os moradores estão envolvidos , onde marcas individuais são criadas por eles próprios e que é apropriada conjuntamente e transformada num espaço comunitário.
8 – Conceito de Obra Pública
O segredo é dar aos espaços públicos uma forma tal que a comunidade se sinta pessoalmente responsável por eles, fazendo com que cada membro da comunidade contribua à sua maneira para um ambiente com o qual possa se relacionar e se identificar. Os serviços prestados pelos órgãos municipais são, normalmente, tidos como “abstrações opressivas”; é como se as obras públicas fossem uma imposição vinda de cima; o homem comum sente que “não tem nada a ver com ele”, e, deste modo, o sistema produz um sentimento generalizado de alienação. As Moradias Vroesenlaan, Rotterdam / J. H. van den Broek e o De Drie Hoven, Lar para Idosos, Amsterdam ilustram como as melhores intenções podem levar á indiferença. As coisas começam a dar errado quando as escalas se tornam grandes demais e quando a conservação e a administração de uma área comunitária não podem mais ser entregues àqueles que estão diretamente envolvidos. Quando a burocracia assume o controle, as regras tornam-se uma camisa-de-força de regulamentos. O crescimento do nível de controle imposto de cima para baixo está abrindo caminho para a agressividade, que, por sua vez, conduz a um enrijecimento ainda maior da teia de regulamentos. O resultado é um círculo vicioso, a falta de comprometimento e o medo exagerado do caos alimentando-se mutuamente. O arquiteto pode contribuir para criar um ambiente que ofereça muito mais oportunidades para que as pessoas deixem suas marcas e identificações pessoais, que possa ser apropriado e anexado por todos como um lugar que realmente lhes “pertença”. Construído com entidades pequenas e funcionais que proporcionem uso intenso para apelar em favor da descentralização das responsabilidades.
9 – A Rua
Mundo hostil de vandalismo ou agressão ou lugar de contato social entre os moradores? A desvalorização da rua pode ser atribuída a muitos fatores, entre eles o aumento do trafego motorizado e as melhores condições de vida da população, que tendem a passar mais tempo dentro de casa. No âmbito da organização espacial o arquiteto pode estimular as “ruas de convivência” onde os adultos podem interagir e as crianças brincar. Seu conceito está baseado na idéia de que os moradores têm algo em comum, expectativas mútuas. Assim as unidades de habitação também funcionam melhor quando estão localizadas em espaços de convivência. Isto é determinado em grande parte pelo planejamento e pelo detalhamento do layout da vizinhança. Em bairros residenciais devemos dar à rua a qualidade de uma sala de estar para a interação cotidiana e para as ocasiões especiais entre os membros da comunidade. Tão importante quanto a disposição relativa das unidades residenciais umas em relação às outras é a colocação das janelas, sacadas, varandas, terraços, patamares, degraus das portas, alpendres... Casas e ruas são complementares: a qualidade de uma depende da qualidade da outra.  
10 – O Domínio Público
Se as casas são domínios privados, a rua é o domínio publico. A rua foi, originalmente, o espaço para ações, revoluções, celebrações, e ao longo de toda a história podemos ver como, de um período para o outro, os arquitetos projetaram o espaço publico no interesse da comunidade a que de fato serviam. Este, portanto, é um apelo para se dar mais ênfase ao tratamento do domínio publico, para que este possa funcionar não só para estimular a interação social como também para refleti-la.  
11 – O Espaço Público como Ambiente Construído
Até o séc. XIX havia poucos edificios publicos, e mesmo estes não o eram de maneira integral. O acesso público a edifícios como igrejas sofria certas restrições, impostas pelos encarregados de sua manutenção ou pelos proprietários. Os verdadeiros espaços públicos estavam quase sempre ao ar livre. Os tipos de edifício que foram desenvolvidos nesse período formaram os blocos de construção para a cidade, mais convidativos e hospitaleiros. A (r)evolução industrial abriu um novo mercado de massa. A aceleração e a massificação dos sistemas de produção e distribuição conduziram à criação de lojas de departamento, exposições, mercados cobertos, estações ferroviárias e metrõ, e conseqüente aumento do turismo. A razão mais importante para o intercambio social sempre foi o comercio, que em todas as formas de vida comunitária sempre ocorre em certas medidas nas ruas, onde cidade e campo se encontram e onde as noticias correm.  
12 – O Acesso Público ao Espaço Privado
Embora os grandes edifícios que tem como objetivo ser acessíveis para o maior numero possível de pessoas não fiquem permanentemente abertos implicam uma expansão fundamental e considerável do mundo publico. Os exemplos mais característicos desta mudança de ênfase são as galerias. As galerias serviam em primeiro lugar para explorar os espaços interiores abertos e eram empreendimentos comerciais por onde circulavam os pedestres, graças à ausência de transito. As passagens altas e compridas, iluminadas de cima graças ao telhado de vidro, nos dão a sensação de um interior: deste modo estamos do lado de “dentro” e de “fora” ao mesmo tempo. Na medida em que a oposição entre as massas do dos edifícios e o espaço da rua serve para distinguir – grosso modo – o mundo privado do publico, o domínio privado circunscrito é transcendido pela inclusão de galerias. O espaço interior se torna mais acessível, enquanto o tecido das ruas se torna mais unido. A cidade é virada pelo avesso, tanto espacialmente quanto no que concerne ao principio do acesso. O abandono do assentamento de quadras num perímetro fechado, no urbanismo do século XX, significou a desintegração da definição espacial nítida dada pelo padrão da rua. Esse novo tipo de assentamento urbano individualizou as fachadas, privatizou as entradas e afastou os edifícios uns dos outros, tornando maior a oposição entre publico e privado. Por isso os arquitetos modernos objetivam a melhoria dos edifícios por meio de um assentamento de melhor qualidade. Devemos considerar a qualidade do espaço das ruas e dos edifícios relacionando-os uns aos outros, com uma relação de reciprocidade. Embora a expressão da relatividade dos conceitos de interior e exterior seja uma questão de organização espacial, o fato de uma área tender para uma atmosfera mais parecida com a da rua ou com a de um interior depende da qualidade do espaço, de suas dimensões, da forma e da escolha dos materiais. É a união de interior e exterior e a conseqüente ambigüidade que intesificam a percepção de acesso espacial e de intimidade. O uso de uma área, o sentido de responsabilidade por ela e  o cuidado dispensado a ela encontram-se todos ligados às demarcações territoriais e à administração. Mas a arquitetura, graças as qualidades evocativas de todas as imagens explicitamente espaciais, formas e materiais, possui a capacidade de estimular determinados tipos de uso.

Fonte: Lições de Arquitetura, de Herman Hertzberger

sábado, 25 de setembro de 2010

The Edukators

Fonte: Google Imagens
O diretor, Hans Weingartner (O Som das Nuvens), de 28 anos, filmou The Edukators (Die fetten jahre sind vorbei, 2004, Alemanha/Áustria), como uma forma de provocação à sua geração sem ideais políticos, o que abre uma discussão interessante sobre a juventude rebelde.  Ser rebelde, hoje em dia, ficou muito difícil. Quem quer ser um idealista no capitalismo selvagem em que vivemos? Weingartner nos mostra que essa geração perdeu seu poder de protesto.
Fonte: Google Imagens
A história gira ao redor de três ativistas anticapitalistas que vivem no centro de Berlim,  Jule, seu namorado Peter e Jan (Daniel Brühl, o mesmo de "ADEUS, LENIN"), o melhor amigo de Peter, e um rico homem de negócios, Hardenberg.  Jan e Peter acreditam que podem mudar o mundo. Eles se autodenominam "Os Edukadores", rebeldes que expressam sua indignação contra a injustiça social e a ideologia burguesa de forma pacífica - e criativa-: eles invadem mansões, trocam móveis e objetos de lugar e espalham mensagens de protesto: “Os anos de fartura estão acabados”.   A denúncia do acúmulo quase inutilizável de riqueza é feita sem imagens dramáticas. O capitalismo não é rejeitado porque não tem "pena" dos pobres, mas por sua natureza intrinsecamente coisificadora, por ser uma máquina de transformar até a rebelião contra ele mesmo em mercadoria (você pode escolher em vitrines os símbolos da rebeldia dos anos 70), pela idiotice dos milhões que passam horas em frente à TV, pela interdição da liberdade.  Em certo momento, o personagem de Daniel Brühl diz que todas as revoluções se esgotaram. Que, hoje em dia, o que era ideal de luta contra o sistema se transformou em camiseta que se compra em qualquer esquina. A revolução se tornou um bem de consumo. Portanto, o ideal dos Edukators não poderia ser mais apropriado: combater o consumismo e a distribuição de renda desigual. Os jovens encaram a mídia, como um meio de alienar mais ainda a todos, com programações que buscam tirar as pessoas da realidade e não terem nenhuma vontade de mudar a realidade, criando assim um sentimento conformista geral.  O filme expressa a encruzilhada dessa geração: a rejeição ao sistema vem junto com a mais absoluta descrença nas formas institucionalizadas de luta política.  A atitude deles não é a de Robin Hood; é sim deixar os abastados inseguros, de que algo está prestes a acontecer em suas vidas, independentemente dos sistemas de segurança de última geração que o seu dinheiro possa comprar. 
Fonte: Google Imagens
Durante uma viagem de Peter, Jan e Jule invadem a casa de Hardenberg. Na casa eles agem como os Edukadores, mas Jule esquece seu celular. Eles invadem novamente a casa, porém são surpreendidos pelo empresário, o que os força a sequestrá-lo. Com a ajuda de Peter eles vão para uma casa de campo onde as belas paisagens do "cativeiro" contrastam com o mundo repressivo e mercantilizado da cidade. Sem nenhuma estratégia definida e atravessados por um sentimento humanista, o que fazer com o cada vez mais simpático sequestrado? Nesse lugar há grandes diálogos entre o magnata e os três jovens, como um embate entre anarquismo e capitalismo, tais como a motivação dos capitalistas, de viver em função da carreira e do lucro. Os melhores diálogos ocorrem quando os quatro discutem política à mesa de jantar após fumarem maconha. Hardenberg revela no ano de 1968 pertencia a uma facção revolucionária, assim como a sua esposa, que combatia o poder burguês. Foi radical, fez experiências com drogas, experimentou a liberdade sexual... Depois, casou, teve filhos, a razão foi falando mais alto... Como reza o ditado, ser comunista até os 30 anos de idade é sinal de indignação e de lutar por causas justas; após os 30 anos é sinal de burrice. Nas falas do executivo o idealismo e a radicalidade dos jovens aparecem como uma fase de um ciclo educativo, uma espécie de preparação para a "vida real". A experiência vivida durante o sequestro, as lembranças de um passado aparentemente simplório mas alegre vieram à tona e fizeram sim, com que o sequestrado repensasse alguns dos valores mais importantes da vida. Embora isso não o tenha modificado de todo. "Algumas pessoas não mudam nunca"
Fonte: Google Imagens
No caso de Jan, Peter e Jule ainda existe uma esperança de ideais revolucionários. Com estes personagens, Weingartner quer chamar a atenção para as questões sociais e ainda revelar que os rebeldes da época viraram ministros e executivos. Desenrola-se então uma história que mostra um encontro de gerações onde todos começam a questionar seus valores. Os ideais vão ser colocados à prova duas vezes na casa dos Alpes da tia de Jule, local para onde o sequestrado foi levado: primeiro, sem munição, eles tem de por a mão no gatilho, tem de usar algum tipo de "instrumento de opressão"; segundo, Peter irá descobrir que Jan e Jule estão juntos. 
Fonte: Google Imagens
The Edukators te faz pensar como que o pensamento jovem de mudar o mundo com uma atitude muda tão rápido. Faz com que pensemos e repensemos as nossas escolhas e as consequências delas. Assim como a juventude busca, hoje, novos caminhos para mudar o mundo em que vive. Como a Arquitetura está presente nas intervenções que eles realizam (referência para a reforma da sala 134) e também pelo fato de que o filme é todo rodado em câmera digital, o que nos dá mais realismo. A mensagem dos Edukators não é uma mensagem reacionária. Não chega nem mesmo a ser um pedido de revolução. O objetivo deles é, antes de tudo, não se renderem ao sistema. Se há algo que eles ensinam é um exemplo de coragem. De não se deixar alienar, de acreditar na igualdade sabendo que sentimentos utópicos de uma sociedade perfeita não levam a nada. Sim, os Edukators possuem o desejo de uma revolução, mas é uma revolução que só pode começar se cada um de nós começarmos a dizer “não” ao “querer mais” e “sim” a virtudes, como a tolerância e a lealdade. É um filme de reflexão. Ao final da sessão, o diretor comentou que normalmente não devemos fazer aquilo que vemos nos filmes. Mas nesse caso deveríamos seguir a linha de pensamento dos personagens, mesmo que para isso, tivéssemos que superar nossos medos e temores. E concluiu com uma variação da frase do personagem Jan: "Todos nós participamos desse jogo inconscientemente. Só aqueles que tomam consciência da Matrix mudam a forma de jogar". Não é ser educado. É se educar. Afinal, “Todo coração é uma célula revolucionária”
Fonte: Google Imagens

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Lançamento: Houses in Difficult Places - Arquitetura mineira representa o Brasil no mundo


Uma bela casa no alto da colina ou na encosta de uma sinuosa montanha. Parece difícil e perigoso este tipo de construção, mas chega ao Brasil o livro “Houses in Difficult Places” (Casas em lugares difíceis), que mostra que estas edificações são possíveis.

Lançado recentemente em Barcelona pela Editora Monsa, especializada em publicações de arquitetura, design e artes, o volume destaca uma variedade de casas que foram implantadas com criatividade sobre terrenos acidentados em várias partes do mundo, como Europa, Ásia e América do Sul.

Representando a arquitetura brasileira, o projeto do arquiteto mineiro, Ulisses Morato, ganha destaque na capa da publicação. Sendo assim, a planta da casa, localizada no município de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos, em Nova Lima, assentado no topo de uma montanha em Minas Gerais é o único do Brasil a participar do projeto.

Em Belo Horizonte, a Leitura Pátio Megastore (Av. Contorno, 6061, 3º andar - Savassi) promove o lançamento do livro, no dia 23 de setembro, a partir das 19h. O evento, que é aberto ao público, contará com a presença do arquiteto Ulisses Morato que autografará os exemplares.

Um projeto brasileiro


 Segundo Ulisses Morato, a escolha do terreno em Nova Lima, no distrito de São Sebastião das Águas Claras, conhecido como Macacos, foi determinada pelas generosas paisagens nativas encontradas no seu entorno. “A casa foi assentada no terreno em três níveis escalonados. Esse arranjo propiciou um melhor aproveitamento da inclinação do terreno e, ao mesmo tempo, grande plasticidade à casa”, explica Ulisses.

A ideia central do projeto foi utilizar os tradicionais métodos e materiais construtivos encontrados no distrito e criar uma linguagem arquitetônica adequada ao perfil do morador. “Compreendemos que o grande mérito do projeto foi articular uma cultura construtiva de tradições manuais a um desenho contemporâneo. A casa possibilita uma forte interação com o meio ambiente a partir da orientação dos cômodos e da setorização das atividades no terreno que privilegia a bela vista”, diz o arquiteto.

No livro, apresentado em inglês e espanhol, além de uma breve explicação dos arquitetos que projetaram as edificações, também há belíssimas fotos das casas e desenhos de plantas, fachadas e cortes.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Lançamento de livro com palestra e debate na Casa do Baile: Domesticidades: Guia de Bolso, de Renata Marques e Wellington Cançado



Será lançada nesta quarta-feira, dia 22, a publicação “Domesticidades: guia de bolso”, dos arquitetos e artistas Renata Marquez e Wellington Cançado, publicado em 2010 pelo Instituto Cidades Criativas (ICC) e realizado por meio do fundo de cultura da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

O livro apresenta espaços domésticos encontrados em Belo Horizonte a partir de paisagens íntimas, tornadas públicas pelo mercado imobiliário. Por meio de uma série de expedições aos websites de corretoras de imóveis anunciados para venda na cidade, foi elaborada uma reflexão acerca dos modos de habitar atuais, dos modelos de consumo arquitetônicos, das táticas de ocupação e criação de identidade e das dinâmicas do mercado imobiliário belo-horizontino. Essa reflexão tem como pano de fundo o imaginário artístico da produção de imagens na história da arte. Natureza-morta, retrato, paisagem, cinema e tópicos teóricos da arquitetura moderna são categorias estéticas discutidas através das fotografias dos espaços domésticos colecionados e categorizados.

Em seguida à palestra, o arquiteto de interiores e professor da UFMG Augustin de Tugny fará uma intervenção crítica, dando início ao debate com os autores e o público. O evento será na Casa do Baile, Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte.

Local: Avenida Otacílio Negrão de Lima, 751, Pampulha // Horário: 20h// Entrada: gratuita // Informações: (31) 3277-7443.

Workshop com Renata Marquez, Wellington Cançado e convidados

Extensão do livro “Domesticidades”, o workshop homônimo tem como proposta ampliar a cartografia realizada na publicação e construir de forma colaborativa outros guias, sobre as possibilidades de pensar, praticar e produzir outras formas de habitar, de paisagens íntimas, de espaços cotidianos etc. Além dos autores, Renata Marquez e Wellington Cançado, haverá apresentações dos convidados Janaina Chavier (Expansões do Doméstico), Fernanda Goulart (Alugo-me) e Adriano Mattos Corrêa (Casa do Zé).

Este é o primeiro volume de uma série imaginária de guias de domesticidades. Dedicado a Belo Horizonte, integra uma coleção fictícia à espera de ser completada com outras cidades mundo afora. Um guia de código aberto a ser recriado por aventureiros sedentários, aficcionados pelas paisagens íntimas dos websites imobiliários, colecionadores de prosaicas imagens de apressados corretores e por cartógrafos amadores do vouyerismo comercial. Um guia portátil para visitas remotas aos lugares não visitáveis das cidades, aos espaços cotidianos alheios, às formas de habitar particulares e à privacidade anônima: um manual de navegação para expedições rumo ao espaço insuspeitado da vida doméstica contemporânea.

Mon Oncle

Fonte: Google Imagens
[ edit ] CastMon Oncle é filminho ítalo-francês de 1958, de Jacques Tati. É uma sátira à mecanização e ao culto à modernidade tecnológica já vigente na década de 50. A casa para o filme (Villa Arpel), projetado por Jacques Lagrange, foi construída em 1956, no La Victorine Studios (agora, Riviera Studios), perto de Nice, e demolida após a filmagem ser concluída.
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Charles Arpel e Madame Arpel têm essa casa moderna e asséptica que representa a paixão com a arquitetura moderna, eficiência mecânica e de estilo americano, consumismo e acessórios domésticos de última geração. Tudo na casa deles é novo, clean, high-tech, programado: a espontaneidade não tem lugar. Tudo é representativo e não funcional; hostil para o conforto dos moradores.Todas as vezes que a campainha é apertada, a fonte em formato de peixe, disposta no meio do geométrico jardim, é acionada. O chafariz é desligado de acordo com a importância da visita. Na escolha da arquitetura moderna para pontuar as suas sátiras, Tati disse uma vez, "Les lignes géométriques ne pas les gens rendent aimables" (Linhas geométricas não produzem pessoas simpáticas ). Assim, cada ângulo da Villa Arpel enfatiza a supremacia da estética superficial e dispositivos elétricos sobre a realidade da vida diária. 
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Neste cenário futurista, surge o irmão da senhora, o tio, Monsieur Hulot, inadaptado ao mundo moderno, estéril e monótono dos Arpell. Em meio aos avanços da época celebra as coisas simples que ainda existem nas grandes cidades. O título faz referência exatamente a esse membro da família que não se encaixa nessa mentalidade corrente: Hulot, interpretado pelo próprio Tati. Gérard Arpel vive com seus pais neste novo subúrbio de Paris, situado para além do desmoronamento de edifícios de pedra dos bairros antigos da cidade e admira seu tio justamente por estar fora dos padrões impostos pela sociedade já que seus pais estão firmemente arraigados na existência do trabalho, nos papéis de gênero, numa sociedade fixa, estratificada, bem como na aquisição de bens e status através da ostentação. Hulot faz o contraponto da casa moderna da família Arpel: ele vive numa confusa periferia em que a ordem é estabelecida pelos próprios moradores. Sempre que Hulot vai visitar a irmã, atravessa as ruínas do muro que representa a ruptura da cidade tradicional com a cidade moderna. De um lado, uma família extremamente formal. Do outro lado a alegria de viver com simplicidade. A ordem contra a desordem, modernidade contra o tradicional. 
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Ao mesmo tempo, Tati coloca em questão os novos conceitos estéticos emergentes na Europa da década de 50. O filme vai além de mostrar o moderno e o não moderno: satiriza a interferência provocada pelas inovações tecnológicas dentro do cotidiano das pessoas. Na casa da família Arpel, a cozinha é moderna, o portão abre sozinho, o design dos móveis é arrojado - e desconfortável: “Tudo se comunica”. É, na realidade, a própria casa que dita as regras da família. As lajotas indicam onde se deve pisar, a mesa com guarda-sol mostra onde fazer as refeições. A casa vigia e parece ter olhos. Apesar da beleza superficial do seu design moderno, o Arpels em casa são totalmente impessoais: subordinam sua individualidade para manter sua posição social e novas posses.
Fonte: Google Imagens
Tati enfatiza seus temas em torno do estilo de vida Arpel com tons monocromáticos e dias nublados, cores vivas e brilhantes de luz coincidem apenas com a chegada de visitantes, principalmente do tio Hulot. Tal como acontece com a maioria dos filmes de Tati, Mon Oncle é uma comédia visual, em que cores e iluminação são empregadas para ajudar a contar a história. É praticamente mudo (a não ser que você fale francês) e utiliza da sonoplastia para caracterizar os ambientes, como os ruídos do abre e fecha dos aparelhos "modernos" dos Arpel que faz a casa parecer uma verdadeira fábrica, tornando a relação em família fria - e vazia - como a própria casa onde moram e o canto do passarinho de Hulot.
Fonte: Google Imagens
Abaixo, um trecho da introdução da Metodologia Científica, Televisão e Ficção Seriada Quarta Parte - As imagens como vetores da atração comunitária de Cláudio Cardoso de Paiva da Universidade Federal da Paraíba.

“Com Jacques Tati, na “mudez musical” do cinema francês, no pós-guerra, as falas proliferam através dos recursos ótico-auditivos. Em “Meu Tio” (1958), Tati fala aos olhos através da mímica, despertando, por meio do cômico, para os aspectos micrológicos do cotidiano, quando os indivíduos mergulharam num estilo de vida em veloz transformação, sob o efeito das novas tecnologias. Tati exibiu como ninguém os ares de solidão e incomunicabilidade do homem moderno, e a sua estratégia feliz no cinema consiste em congregar os solitários e emudecidos do planeta através da irônica visibilidade das imagens. O êxito de Tati está em mostrar criticamente as formas de inadequação, impropriedade e desconexão entre os hábitos antigos e as tecnologias modernas, isto é algo que dificilmente poderia se revelar sem o olhar intrometido e zombeteiro da câmera.”.
Ouça a música aqui!
A modernidade é admirada pela família Arpel também fora da casa. Charles, o Sr. Arpel, é dono da fábrica de plásticos Plasta. Nela, fica também evidenciada outra crítica pronunciada por Jacques Tati: a da nova sociedade industrial. O trabalho maçante e repetitivo dos funcionários, que dão ênfase às atividades sob os olhos do patrão.  Representando um período pós-guerra na França, Mon Oncle fala-nos da orientação para ambientes "futuristas", retratando a evolução do design em contraste com os ambientes tradicionais vividos num bairro normal francês e nos mostra a valorização exacerbada pelas classes média-altas a esses valores, em detrimento de valores de maior proximidade com o outro. 
Fonte: Google Imagens

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Projeto Villa Arpell

Planta de Situação
Planta 1º Pavimento
Planta 2º Pavimento
Perspectiva

Projeto Villa Arpell

Fachada Frontal
Fachada Lateral Esquerda
Fachada Posterior

Fachada Lateral Direita

Projeto Villa Arpell

Corte 01
Corte 02

Detalhe Jardim

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Reforma da sala 134

Sábado, depois da aula de acústica, foi-nos proposto reformar a sala 134 da Escola de Arquitetura da UFMG. Os temas foram divididos e eu, Fernanda e Antônio ficamos responsáveis por confeccionar  lixeiras, porque não havia nenhuma na sala. Então fiquei por aí, bisbilhotando e tentando ter alguma ideia... Eis o fruto -inicial- da minha pesquisa:

PARA CONFECÇÃO DE UMA LIXEIRA:
- 4 galões reutilizáveis (óleo, tintas....);
- sobras de madeira; 
-4 cadeiras velhas (somente as pernas);
- sobras de tintas nas cores: vermelho, verde, azul e amarelo;
- adesivos com os símbolos da reciclagem; 
- 4 puxadores usados.
MODO DE FAZER: 
1º passo: - corte e lave os galões 
2º passo: - fixe 4 ripas no interior das bordas dos galões; 
3º passo: - recorte a madeira e faça as tampas; 
                - fixe os puxadores; 
4º passo: - pinte nas cores da reciclagem; 
5º passo: - procure um “parceiro” para soldar a estrutura; 
                 - Cole os adesivos e pronto;

Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens
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Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens
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Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens
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Um apanhado geral

Aproveitando nossas ultimas aulas resolvi postar sobre o modernismo.

Não a modernidade, aquela originada no séc. XV, mas os movimentos modernistas: uma designação beeem genérica da arquitetura produzida no séc. XX.
Essas definições homogêneas não caracterizam um ideário moderno único: suas características podem ser encontradas na Bauhaus, em Le Corbusier, Frank Lloyd Wright e por aí vai...
Todas essas fontes convergiram para o CIAM (Congresso Internacional de Arquitetura Moderna) e formularam alguns axiomas do modernismo como “A casa é uma maquina de morar” de Le Corbusier.



A Villa Arpell, casa-cenário do filme Mon Oncle, representa esse lema: é uma arquitetura regular, limpa, clara, ascética, que desassocia o individuo do todo num ambiente quase hospitalar.
Utiliza vedações em vidro, pois “Tudo se comunica” o que para Le Corbusier (essa clareza das superfícies e precisão na disposição dos volumes) era uma manisfestação da própria natureza.

Discordo dessa visão. Morar na Villa Arpell deveria ser muito superficial. A casa, muito influenciada pelo positivismo, tornava o morar impessoal e mecânico, como o lema positivista “Ordem e Progresso”, estampado em nossa bandeira.

Para Comte, idealizador do positivismo, para um futuro de progresso seria necessário subsumir o individuo, o que torna os Arpell uma família-modelo, perfeita para uma casa-modelo, que se projeta para o futuro, desvinculada de valores do passado, tal qual propunha o modernismo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Villa Arpel


Josy Produções tem o prazer de apresentar: Um passeio pela Villa Arpel!

Entre e deleite-se...